Manaus, quinta-feira 16 de julho de 2026
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“O ambiente do futebol é muito hostil para um gay”, diz Emerson Ferretti, ex-goleiro do Grêmio

Foto: Marcos Ribolli

*Da Redação do Dia a Dia Notícia

Emerson Ferretti, ex-goleiro do Grêmio, fez declarações polêmicas sobre sexualidade no mundo do esporte, afirmando que aos 21 anos entrou em um dilema sobre sua masculinidade e o futebol, além de enfrentar tabus da sociedade sozinho.

Segundo o atleta, em entrevista ao podcast do ge ‘Nos Armários dos Vestiários’, aos 21 anos, teria sofrido uma lesão que mudou o rumo da sua vida. Ele teria se jogado com força sobre o adversário para impedir o chute o que causou uma grave lesão na perna direita.

Na época, o então goleiro era valorizado nas categorias de base da seleção brasileira, valorizado e assediado, o que se transformou em um fardo para ele, porque na medida em que ganhava fama, tinha mais chances de ter sua sexualidade conhecida pelos outros jogadores, a mídia e sua família.

“Eu me joguei desesperado. Na verdade, o desespero era outro, não era um desespero para não tomar gol. A minha vida pessoal, a cada defesa que eu fazia, cada vez que eu me destacava mais dentro de campo, o buraco vazio aumentava também inversamente proporcional. Quanto mais famoso eu ficava, mais difícil se tornava ser gay dentro desse ambiente”, declarou.

“Eu não tinha tido contato com o mundo gay até então, com 21 anos. Então, quando eu quebrei a perna, e foi uma lesão grave que poderia inclusive ter ter acabado com minha carreira, porque quebrou a tíbia e fíbula, eu acabei saindo de cena, apesar de toda a fama e todo a comoção que causou no Rio Grande do Sul. Mas eu acabei saindo de cena um pouco e foi o que me deu a oportunidade de poder repensar algumas coisas e começar a equilibrar isso. Foi inconsciente, mas foi um ato de desespero mesmo para tentar mudar o rumo das coisas”, continuou.

O ex-goleiro, afirmou que precisou lidar com sua sexualidade em seus mais 30 anos de futebol, e que espera usar sua história para ser um exemplo positivo para as novas gerações de atletas.

“O ambiente do futebol é muito hostil para um gay, muito mesmo. Eu fico imaginando quantos garotos desistiram de se tornar jogador de futebol por conta disso, por perceberem essa situação. Quantos talentos foram perdidos? O futebol perdeu, os clubes perderam, porque o ambiente realmente não ajuda. Eu segui com tudo isso, mas sofri com as consequências de seguir, era o meu sonho. Eu queria ser goleiro do Grêmio. Eu queria ser um jogador de futebol. Eu eu conquistei isso, só tive que que enfrentar um outro lado que é muito difícil”, afirmou.

Emerson também destacou quando era mais jovem não conseguia ter um contato maior com sua sexualidade e que só ouvia a reprodução de pensamentos preconceituosos pela família e sociedade.

“Não tive contato nenhum com o mundo gay até os 21 anos. E o que ouvia era o pensamento de todo mundo da família que reproduzia o pensamento da época e do local, o Rio Grande do Sul, um estado bem machista, conservador. Falavam que ser gay era sem-vergonhice, descaração, uma aberração. Era inferiorizado, muito relacionado à promiscuidade. Então, tudo o que era negativo, se jogava lá. Eu cresci ouvindo isso”, disse.

Nota

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