Manaus, domingo 8 de fevereiro de 2026
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Vereadores evitam falar sobre morte de biomédica em buraco de Manaus, mas reagem ao serem chamados de ‘ratos’

*Da Redação Dia a Dia Notícia 

A família da biomédica Giovana Ribeiro da Silva, 29 anos, grávida de oito meses e vítima de um acidente causado por um buraco, que fez a motocicleta em que ela estava cair, voltou à Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta terça-feira (12). Em busca de respostas e punições pelo ocorrido, a presença dos familiares gerou clima de tensão entre os vereadores, principalmente quando o marido de Giovana, João Vitor, se exaltou e chamou alguns parlamentares de “ratos”.

Durante sua fala na tribuna, João Vitor foi direto em sua cobrança por justiça e responsabilização, acusando a gestão do prefeito David Almeida (Avante) pela morte da esposa e da filha que ainda estava em gestação.

Durante a sessão da Câmara Municipal de Manaus (CMM) realizada em 6 de agosto, o marido da biomédica Giovana Ribeiro da Silva aguardava para usar a tribuna, mas uma manobra de alguns vereadores para evitar um debate sobre o asfaltamento das ruas resultou no encerramento da sessão e no apagamento das luzes do plenário.

“Minha esposa, grávida de oito meses, morreu por causa de um buraco, um buraco que continua fazendo vítimas e nada é feito. É a indignação de um pai que precisou enterrar dois caixões. Vi minha família ser humilhada. Quando alguns vereadores se comportaram como ‘ratos’, apagaram as luzes, desligaram o painel e saíram sorrateiramente”, desabafou João Vitor.

A fala gerou imediata reação dos parlamentares. Eduardo Alfaia (Avante), líder do prefeito na CMM, respondeu:

“Com todo respeito à sua dor, o senhor não pode vir a esta Casa chamar vereadores de ‘ratos’. Alguns podem aceitar, mas eu, não. Peço desculpas se falhamos em algo, mas essa acusação não será aceita”.

O vereador Coronel Rosses, que havia cedido seu tempo para a família, tentou acalmar os ânimos, pedindo que João Vitor moderasse as palavras e mantivesse o respeito.

Porém, a tensão aumentou quando Gilmar Nascimento (Avante) acusou Rosses de “rasgar o regimento da Casa”. Segundo Gilmar, a família teria sido trazida sem aviso prévio, causando desconforto:

“Ele trouxe a família sem comunicar ninguém na semana passada e repetiu hoje, sem aviso. A pessoa chega aqui e desrespeita todos os vereadores”, afirmou, visivelmente irritado.

O presidente da sessão, vereador Raulzinho (Avante), vice-líder do prefeito, também interveio, pedindo contenção ao marido da biomédica:

“Respeitamos a dor de todos, mas não é aceitável usar a tribuna para chamar esta Casa e seus vereadores por nomes que peço que sejam retirados das atas. Este cidadão provavelmente não conhece a história dos vereadores para fazer tais acusações”.

Rosses rebateu a acusação de Gilmar, explicando que havia comunicado previamente a presença da família ao então presidente da Casa, vereador Eduardo Assis, durante a sessão anterior:

“Antes do início do expediente, houve alinhamento de que, apesar da inversão de pauta proposta pelo líder do prefeito, haveria um pequeno expediente para que a família pudesse falar. Mesmo com a família abalada, eu teria meu tempo de fala e cederia a eles com autorização da presidência. Infelizmente, a família veio e as luzes foram apagadas, o painel desligado, uma atitude desumana”.

O episódio expõe o contraste entre a dor profunda de uma família enlutada e o incômodo dos vereadores diante da forma como a indignação foi expressa.

Enquanto o uso do termo “ratos” por João Vitor foi duramente repreendido, pouca atenção foi dada à causa da sua revolta: a morte trágica da esposa e da filha devido a um buraco nas ruas de Manaus.

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