*Da Redação do Dia a Dia Notícia
A União Brasileira de Mulheres (UBM) divulgou uma nota de repúdio contra a decisão da Vara Única de Presidente Figueiredo, que condenou os réus pelo assassinato da artista e palhaça venezuelana Julieta Hernández apenas por latrocínio e ocultação de cadáver, sem reconhecer o crime como feminicídio.
Julieta foi morta em dezembro de 2023, em um caso que gerou grande comoção no Amazonas e mobilizou entidades de direitos humanos. Após meses de investigação e mais de 60 dias de análise judicial, o tribunal sentenciou Deliomara dos Anjos Santos a 37 anos e 11 meses de prisão e Thiago Agles da Silva a 41 anos e 3 meses. Para a UBM, a decisão representa um retrocesso no enfrentamento à violência de gênero.
Em nota, a entidade destacou que o julgamento ignorou diretrizes nacionais e internacionais sobre crimes cometidos contra mulheres, como o Protocolo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Convenção de Belém do Pará, que orientam o reconhecimento da perspectiva de gênero nas decisões judiciais.
“A sentença que desconsidera o feminicídio no caso de Julieta é mais um retrato da cegueira institucional diante da violência de gênero. Negar esse reconhecimento é negar justiça à Julieta e a todas as mulheres que lutam por respeito e memória”, afirmou Arianna Azevedo, integrante da UBM.
A organização também apontou falhas processuais, como a ausência de comunicação prévia às partes antes da divulgação da sentença, e criticou o que chamou de “interpretação patrimonialista” do caso, que teria reduzido o crime a um roubo seguido de morte, sem considerar o contexto de gênero e a violência simbólica envolvida.
Para Alessandrina Silva, dirigente da UBM, reconhecer o feminicídio é um gesto de responsabilidade política e social.
“Dar nome às violências significa reconhecer o sistema que insiste em silenciar e apagar as dores das mulheres. Julieta foi vítima de uma estrutura machista que ainda encontra espaço dentro das instituições”, declarou.
A UBM encerrou o comunicado reafirmando solidariedade à família da artista e exigindo que o caso seja revisto com base na perspectiva de gênero, de forma a garantir justiça e preservar a memória de Julieta Hernández.
