*Da Redação Dia a Dia Notícia
Uma mãe denunciou falhas na atuação da Secretaria Municipal de Educação (Semed) após o filho, de 11 anos, diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e com laudos médicos comprovados, ser mantido em uma escola localizada na BR-174, longe do bairro União da Vitória, zona Oeste de Manaus, onde a família reside. Segundo o relato, a negativa de transferência expõe a criança a riscos diários, já que ela não conta com rota escolar e precisa utilizar dois ônibus, para atravessar a rodovia.
Conforme o relato da mãe, a negativa da Semed em transferir o aluno para uma unidade mais próxima do bairro União da Vitória gerou revolta e preocupação pela segurança do filho, que convive com dificuldades de atenção e impulsividade típicas do TDAH. O caso ganhou repercussão após a mulher procurar a imprensa para relatar a situação, que, segundo ela, só foi resolvida depois que veio a público.
Especialistas no transtorno ressaltam que o TDAH é uma condição de desenvolvimento neuropsicológico que pode interferir na rotina escolar e exige apoio adequado dos ambientes educacionais, para garantir inclusão e segurança à criança.
“Meu filho tem TDAH, tenho laudo, ele só tem 11 anos. Não tem rota escolar. Ele teria que atravessar a BR-174 todos os dias. Isso é desumano”, desabafou.
Segundo a mãe, após a repercussão, a Semed tomou as medidas necessárias, autorizando a transferência do aluno para uma escola mais próxima e segura.
A denúncia ganha ainda mais peso diante dos valores milionários destinados ao transporte escolar em Manaus. Levantamentos jornalísticos apontam que, entre 2021 e 2025, a Prefeitura desembolsou cerca de R$ 387,7 milhões para o serviço. Desse total, aproximadamente R$ 163,6 milhões, o equivalente a 42% do montante, teriam sido pagos à empresa Leo Rent a Car, responsável por parte significativa das rotas da rede municipal. Apesar do volume de recursos públicos investidos, pais e responsáveis continuam relatando ausência de veículos e crianças submetidas a trajetos considerados perigosos.
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
Conforme previsto em lei, é garantido o direito da criança à organização e participação em entidades estudantis, bem como o acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência, assegurando-se, ainda, vagas no mesmo estabelecimento para irmãos que frequentem a mesma etapa ou ciclo da educação básica.
