Quatorze dias após o início da ocupação do porto de Santarém, no oeste do Pará, indígenas ampliaram a mobilização e passaram a bloquear também a rodovia Fernando Guilhon, principal via de acesso ao Aeroporto Internacional Maestro Wilson Fonseca. A medida intensificou a pressão sobre o governo federal e provocou impactos diretos na mobilidade urbana e no transporte aéreo da região.
A mobilização faz parte de um movimento liderado por povos do Baixo Tapajós que cobra diálogo com o governo e a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que autoriza concessões hidroviárias à iniciativa privada e prevê a dragagem do rio Tapajós.
Segundo as lideranças, o projeto pode causar impactos socioambientais e afetar territórios tradicionais, além de ter sido apresentado sem consulta prévia às comunidades, como determina a legislação internacional e a Constituição brasileira. Os protestos começaram em janeiro com a ocupação de estruturas portuárias ligadas ao escoamento de grãos na região e ganharam força ao longo dos dias, envolvendo indígenas de diferentes etnias e organizações sociais.
Durante a manifestação, os indígenas utilizaram troncos de árvores, pneus e barreiras humanas para impedir a passagem de veículos, provocando congestionamentos e dificultando o acesso de passageiros ao terminal aéreo. A Polícia Militar acompanha o movimento para evitar conflitos, enquanto os manifestantes afirmam que o bloqueio é por tempo indeterminado.
A administração do aeroporto informou, por meio de nota, que a mobilização ocorre de forma pacífica na área em frente ao terminal.