*Da Redação Dia a Dia Notícia
A indígena da etnia Baniwa, Ilzinei da Silva, fez história ao se tornar a primeira médica de seu povo formada para atuar no Alto Rio Negro, no Noroeste do Amazonas. Oriunda de uma comunidade isolada, a profissional concluiu o curso de Medicina e já inicia a atuação em áreas remotas, com foco na ampliação do acesso à saúde básica entre populações indígenas. O marco é visto como avanço no enfrentamento das dificuldades históricas de acesso à educação superior e à assistência médica, especialmente em regiões de difícil acesso, onde a nova médica deve atuar em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro, atendendo demandas essenciais como pré-natal, vacinação e combate a doenças tropicais.
Filha de pais analfabetos e criada com seis irmãos, Ilzinei revela que só foi alfabetizada aos 8 anos de idade. Desde cedo, percebeu que a falta de acesso à educação e aos serviços de saúde fazia parte da realidade de sua comunidade.
O diploma veio em 2020, durante o pico da pandemia da covid-19. Ilzinei relata que o período foi difícil pelo medo de um vírus, até então desconhecido, que já tinha causado a morte de outros colegas de medicina.
O feito foi celebrado por lideranças indígenas, pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que destacam o papel da formação de profissionais indígenas para reduzir desigualdades e fortalecer a atenção diferenciada às populações tradicionais.
“É um momento de orgulho para o povo Baniwa e para toda a Amazônia. Ela leva não só conhecimento técnico, mas também a compreensão cultural profunda da nossa realidade” , destacou uma liderança da etnia.
A profissional deve iniciar atendimentos em comunidades como Içana, Auaris e outras aldeias do Alto Rio Negro, onde o acesso a médicos ainda depende de equipes volantes.
