*Da Redação Dia a Dia Notícia
A pré-candidata à deputada federal Vanda Witoto (MDB) formalizou nesta sexta-feira, 20, uma denúncia por violência política de gênero junto à Ouvidoria da Mulher do Tribunal Regional Eleitoral, após ampla repercussão de uma charge do cartunista Gilmal que a retratou de forma misógina e ofensiva. Segundo Vanda, a ilustração não é um episódio isolado, mas reflete um padrão que busca silenciar e afastar mulheres da política. Em sua publicação, a líder indígena destacou o impacto desse tipo de ataque na democracia brasileira: ‘A democracia só é inteira quando nós mulheres podemos existir nela de forma digna, plena e segura’.
No desenho polêmico, Vanda aparece ajoelhada diante do senador Eduardo Braga (MDB), enquanto ele pronuncia a repudiosa frase “ajoelhou, tem que rezar”. Na imagem, o parlamentar carrega uma bolsa com grãos de milho, referência a uma prática antiga de punição considerada degradante, em que a pessoa é obrigada a se ajoelhar sobre milho seco. Diante da repercussão, Vanda publicou um vídeo nas redes sociais classificando o episódio como violência política de gênero, misoginia e racismo.
Para ela, a representação atinge não apenas sua trajetória política, mas também mulheres e povos indígenas de forma geral.
“Hoje a violência política e de gênero chega ao meu corpo-território, nas mulheres e em toda a sociedade do Amazonas, de forma covarde, misógina e racista”, afirmou.
Líder indígena e pré-candidata à Câmara dos Deputados, Vanda construiu sua trajetória política a partir da atuação comunitária e da defesa de direitos das populações amazônicas. Ela ganhou destaque nacional durante a crise do oxigênio em Manaus, dada pelo período da Covid-19, quando coordenou ações de apoio a comunidades indígenas e periféricas, transformando seu carro em ambulância comunitária e organizando atendimento médico emergencial. Além disso, fundou o Instituto Witoto, voltado à educação ancestral, empreendedorismo e fortalecimento de lideranças femininas indígenas.
Com sua denúncia formal, Vanda reforça a importância de que tais atos sejam tratados como crime e não como opinião ou piada, buscando garantir um lugar seguro, respeitoso e baseado na igualdade de oportunidades.
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