*Da Redação do Dia a Dia Notícia
A Polícia Civil do Amazonas revelou que o casal de São Paulo detido em flagrante por tentar comprar um recém-nascido em Manacapuru (distante 98 quilômetros de Manaus) já tinha um histórico de tentativas de burlar o sistema legal de adoção. Wesley Fabian Lourenço e Luiz Armando dos Santos, que ofereceram R$ 500 pelo bebê, tiveram um processo de adoção arquivado pela Justiça anteriormente por conduta irregular.
O flagrante ocorreu na última sexta-feira, 11 de julho, quando Wesley e Luiz Armando tentavam sair do hospital em Manacapuru com a criança. As investigações apontam que José Urbelan Pinheiro de Magalhães, de 47 anos, proprietário de uma lanchonete local e conhecido como “Sabão”, atuava como agenciador na entrega.
A delegada Joyce Coelho, à frente do caso, confirmou que a própria Justiça de Manacapuru informou sobre o histórico do casal. “Eles já haviam tentado um pedido de adoção aqui em Manacapuru, mas foram excluídos do processo por tentar burlar o sistema”, explicou a delegada. Embora na época o caso tenha ficado na esfera cível sem caracterização de crime, a tentativa de fraude resultou no arquivamento do pedido.
Há também denúncias de que o casal já teria conseguido levar outra criança do Amazonas em uma adoção irregular. A Polícia Civil investigará a fundo as idas e vindas dos homens ao estado para apurar possíveis casos anteriores.
A investigação aponta para a existência de um esquema de adoções ilegais, que envolveria moradores de Manacapuru e contatos em São Paulo. Uma mulher paulista, natural de Manacapuru e ainda não identificada, seria a responsável por atrair interessados em adoções clandestinas e fazer a ponte com o agenciador José Urbelan.
Segundo o depoimento de “Sabão”, a mãe do recém-nascido foi apresentada ao casal por essa mulher. A polícia descobriu que a mãe tentava vender o bebê para quitar uma dívida com um agiota, e há indícios de que ela recebeu outros valores via PIX ao longo dos últimos meses, além dos R$ 500 iniciais.
O casal estava hospedado em um hotel na cidade desde junho, monitorando a gravidez. Um dos homens chegou a assistir ao parto e se apresentou como pai da criança, obtendo a Declaração de Nascido Vivo (DNV). “Com esse documento, ele poderia perfeitamente ter ido ao cartório, registrado a criança como se fosse filho biológico e saído do estado”, alertou a delegada Joyce Coelho, destacando a gravidade da situação.
