Manaus, sábado 28 de fevereiro de 2026
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Pesquisa mostra que 39% dos brasileiros começaram o ano no vermelho

*Da Redação Dia a Dia Notícia 

O Brasil começa 2026 sob pressão financeira e clima de cautela entre os consumidores. Segundo pesquisa inédita do instituto Hibou, 39% dos brasileiros iniciam o ano endividados, sendo que 30% acumulam dívidas superiores a R$ 15 mil, enquanto metade da população acredita que a economia do país deve piorar nos próximos meses.

O impacto das dívidas se reflete diretamente nos hábitos de consumo e nas prioridades pessoais. Segundo a pesquisa, os brasileiros adotam uma postura mais racional, priorizando o aumento da renda, investimentos em saúde e qualificação profissional. Viagens seguem no radar como estratégia de bem-estar emocional, mas a intenção de viajar para acompanhar a Copa do Mundo da Fifa 2026 é praticamente descartada.

Pessimismo econômico e endividamento

De acordo com o estudo, 50% dos entrevistados acreditam que a economia brasileira deve piorar em 2026. Outros 25% apostam na estabilidade, enquanto apenas 25% esperam melhora. O cenário ajuda a explicar o alto nível de endividamento: além dos 30% que devem mais de R$ 15 mil, 28% possuem dívidas entre R$ 2 mil e R$ 5 mil. Apenas 12% afirmam que começarão o ano com dinheiro sobrando.

Para Ligia Mello, CSO da Hibou, o comportamento do consumidor reflete um estado de alerta permanente. “O brasileiro entra em 2026 em um modo de sobrevivência estratégica. Há uma consciência clara de que o cenário econômico é hostil, o que leva 48% a afirmarem que pretendem economizar tudo o que for possível. Ao mesmo tempo, o consumo reprimido gera tensão entre a necessidade de quitar dívidas e o desejo de realizar projetos pessoais”, avalia.

Prioridades pessoais e qualidade de vida

Quando questionados sobre os principais desejos para 2026, “ganhar mais dinheiro” aparece no topo da lista, citado por 57% dos entrevistados. Em seguida, surgem metas relacionadas à saúde e ao bem-estar, como emagrecer (45%) e investir na qualidade de vida (68%). Reformar a casa também figura entre as prioridades, mencionada por 35% dos brasileiros.

O cuidado com o corpo e a mente se reflete nos hábitos cotidianos: 72% afirmam que pretendem manter atividades físicas regulares ao longo do ano, reforçando a busca por equilíbrio em meio às incertezas econômicas.

Mesmo com o orçamento apertado, viajar continua sendo um desejo importante. Para 10% dos entrevistados, a experiência é considerada “libertadora”, e 41% planejam realizar mais de uma viagem em 2026. O avião é o meio de transporte preferido para 76% dos viajantes, enquanto destinos internacionais atraem 47% do público, à frente de praias desertas (41%) e cidades históricas (38%).

Apesar disso, o maior evento esportivo do ano não empolga: 90% dos brasileiros afirmam que não pretendem viajar para assistir aos jogos da Copa do Mundo da Fifa 2026.

No mercado de trabalho, a aposta para enfrentar o cenário adverso é a qualificação. A pesquisa aponta que 28% pretendem estudar online para ampliar competências, enquanto 21% planejam concluir cursos já iniciados, como graduação, pós-graduação ou idiomas. O desejo de mudança profissional também é significativo: 19% buscam novos desafios em outras áreas e 17% querem se capacitar para gerir melhor seus próprios negócios ou equipes.

Consumo consciente e foco em promoções

A cautela deve marcar o consumo em 2026. Segundo o levantamento, 44% dos brasileiros afirmam que irão priorizar compras em promoção, enquanto 19% pretendem utilizar cupons com mais frequência. O comércio eletrônico segue consolidado: 32% continuarão comprando online, e 27% adotam um modelo híbrido entre lojas físicas e digitais.

Entre os bens duráveis, o carro lidera as intenções de compra para os próximos 18 meses, citado por 28% dos entrevistados, seguido pelo imóvel, com 23%.

A percepção de piora também se estende a outras áreas. Para 48% dos brasileiros, o meio ambiente deve enfrentar um cenário mais negativo em 2026. A segurança pública preocupa 45% da população, que acredita em agravamento da situação. Em relação à educação e à saúde, a maioria espera estabilidade, mas o otimismo é limitado: apenas 18% acreditam em melhora na educação e 20% na saúde.

Segundo Ligia Mello, a postura do consumidor revela uma mudança de mentalidade. “O brasileiro não espera que o governo facilite sua vida. Ele assume o controle por meio da educação online, do autocuidado e de escolhas mais conscientes. A viagem deixou de ser luxo e passou a ser uma ferramenta de saúde mental para enfrentar um cotidiano que 35% descrevem como cansativo”, afirma.

O verão também influencia o humor: enquanto 35% relatam desânimo por causa do calor, 34% dizem gostar dos dias mais longos. Entre os 16% que têm filhos em idade escolar, o recesso deve ser majoritariamente em casa, com 52% planejando atividades domésticas. Ainda assim, 43% pretendem viajar por alguns dias com as crianças.

Ao projetar 2026, os entrevistados associam o ano a palavras como “trabalho” e “superação”, mas mantêm o olhar voltado para a “vitória”, indicando resiliência diante de um cenário desafiador.

A pesquisa “Expectativas 2026” foi realizada pelo instituto Hibou entre os dias 15 e 17 de dezembro de 2025. O levantamento ouviu 1.501 pessoas maiores de 18 anos, das classes ABCDE, em todo o território nacional, por meio de painel digital. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.

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