*Da Redação do Dia a Dia Notícia
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou, em estudo divulgado nessa quarta-feira (15), que 74% dos empresários da Região Norte consideram as condições de infraestrutura locais como regulares, ruins ou péssimas, índice muito superior à média nacional de 45%. O levantamento, intitulado Panorama da Infraestrutura – Região Norte, reúne dados sobre transporte, energia, saneamento e telecomunicações, além de propor medidas para melhorar os investimentos nesses setores.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o déficit estrutural limita o potencial de desenvolvimento da região, apesar da sua importância estratégica e da riqueza em biodiversidade. “As deficiências em rodovias, a baixa integração energética e as falhas no transporte hidroviário elevam os custos logísticos e afastam investimentos”, destacou.
O estudo aponta que o Norte do país enfrenta gargalos logísticos graves. As rodovias têm trechos precários ou inacabados, as ferrovias praticamente não existem e as hidrovias, embora promissoras, carecem de obras de dragagem, sinalização e integração com outros modais. Entre as principais obras prioritárias, estão a pavimentação da BR-319(entre Porto Velho e Manaus), o derrocamento do Pedral do Lourenço para ampliar a navegabilidade da Hidrovia Araguaia-Tocantins, a conclusão da ponte sobre o Rio Xingu e a implantação da Ferrogrão (EF-170).
O relatório também cita a conexão de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) como avanço recente e defende que projetos de energia, transporte e saneamento são essenciais para o crescimento sustentável da região.
Segundo o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, o Norte apresenta os piores índices de saneamento básico do país: apenas 61% da população tem acesso à água tratada e 23% contam com rede de esgoto. Para ele, “superar esses obstáculos é fundamental para melhorar a qualidade de vida e criar um ambiente mais atrativo a investimentos”.
O levantamento integra uma série de cinco estudos regionais da CNI sobre infraestrutura. Ele foi lançado durante o evento Pré-COP30, em Brasília, e reforçou a necessidade de um plano nacional de obras estruturantes na Amazônia. Representantes da indústria, como Alex Dias Carvalho (Fiepa) e Marcelo Thomé (Fiero), destacaram que o avanço da infraestrutura é condição essencial para o desenvolvimento econômico e para o combate à pobreza e às atividades ilegais na região.
