*Da Redação Dia a Dia Notícia
Segundo um levantamento sobre o impacto da religião na experiência da agressão no Brasil, as mulheres evangélicas apresentam maior exposição à violência por parceiros íntimos e recorrem menos aos canais formais de denúncia. Os dados indicam que 42,7% já foram vítimas e que a maioria busca apoio inicial na igreja ou na família, fator que contribui para a subnotificação e dificulta a atuação dos órgãos de proteção. Com informações da Revista Cenarium.
O estudo, baseado em dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, também evidencia a alta incidência de controle coercitivo nesse grupo, atingindo 49,7% das mulheres evangélicas. Esse tipo de violência, marcado por isolamento, vigilância e dominação psicológica, muitas vezes não deixa marcas físicas, o que dificulta sua identificação e reduz as chances de denúncia formal.
Outro ponto central é o caminho percorrido pelas vítimas após a agressão. De acordo com a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, 57% das mulheres buscam apoio na família e 53% recorrem à igreja, enquanto apenas 28% procuram delegacias especializadas e 11% acionam o Disque 180. Entre mulheres evangélicas, esse movimento é ainda mais acentuado, com 69% recorrendo à igreja como primeira resposta.

Esse padrão reforça o papel das redes informais como principal porta de entrada diante da violência, mas também ajuda a explicar a subnotificação dos casos, já que muitos não chegam ao sistema de justiça. A rede de amigos também aparece como suporte relevante, sendo acionada por 52% das vítimas.
Apesar desse cenário, os dados indicam que a maioria das mulheres reage à violência, e apenas 5% não tomaram nenhuma atitude. O desafio, segundo o levantamento, está menos na inação e mais na ausência de encaminhamento dessas denúncias para canais formais, o que limita a atuação do Estado.
A pesquisa ouviu mais de 21 mil mulheres em todo o país e aponta ainda sinais de mudança no comportamento das vítimas. Embora historicamente mulheres evangélicas tenham apresentado maior permanência em relações abusivas, levantamentos recentes indicam uma tendência gradual de ruptura desses ciclos.
O estudo também insere o problema em um contexto mais amplo de fatores sociais e institucionais, como a influência de discursos conservadores e a redução de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, que podem contribuir para a manutenção de ambientes permissivos à violência.
No panorama geral, os dados reforçam que a violência de gênero no Brasil segue elevada e, em muitos casos, invisibilizada. Entre 2013 e 2023, mais de 47 mil mulheres foram assassinadas no país, enquanto a subnotificação e falhas nos registros oficiais ainda dificultam a dimensão real do problema.
