*Da Redação Dia a Dia Notícia
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou a adoção de medidas emergenciais a diversos órgãos de saúde de Belém (PA), alertando que a rede local não está preparada para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). Segundo a instituição, a precariedade do sistema de urgência e emergência coloca em risco um possível colapso com a chegada de cerca de 50 mil participantes ao evento.
O MPF cita relatórios que apontam falhas graves em unidades de saúde, como o Pronto-Socorro Mário Pinotti, onde fiscais registraram falta de insumos básicos, gaze, algodão, luvas e medicamentos, além de aparelhos quebrados, como eletrocardiógrafos e ultrassons portáteis. Também foram constatadas enfermarias superlotadas, pacientes nos corredores e suspensão de cirurgias ortopédicas há mais de um ano.
Problemas semelhantes foram identificados em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Sacramenta e de Icoaraci, que enfrentam falta de medicamentos, estrutura precária, atraso de salários e equipes sobrecarregadas.
Outro ponto considerado grave pelo MPF é a possibilidade de criação de uma “fila paralela” de atendimento para estrangeiros e participantes da COP30, com regulação própria da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Para o órgão, isso violaria os princípios do SUS, configurando tratamento desigual e inconstitucional.
Além disso, o MPF criticou a falta de investimentos diretos do evento na saúde pública: do orçamento estimado em R$ 4,7 bilhões para a COP30, nenhum recurso foi destinado ao setor, o que significa, segundo o órgão, que não haverá legado estrutural, como hospitais ou aumento permanente de leitos.
