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Mais de 34,59% das moradias no Amazonas estão em situação precárias, aponta IBGE

Foto: IBGE

O Amazonas tem a maior proporção, entre os estados brasileiros, de domicílios em aglomerados subnormais – mais conhecidos como favelas, invasões, palafitas e loteamentos―, segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado nesta semana. São mais de um terço das residências (34,59%).

Os números preocupam já que essas moradias dificultam o isolamento social, possuem condições precárias de saneamento básico e favorecem a disseminação do vírus causador da covid-19.

De acordo com os dados do IBGE, dos 653.218 domicílios existentes em Manaus, mais da metade (53,3%) está nos chamados aglomerados subnormais.

Os bairros Cidade de Deus e Alfredo Nascimento, na Zona Norte de Manaus, são os que mais possuem casas como essas, com mais de 16,7 mil residências.

Segundo o levantamento do IBGE, quem vive nesse tipo de moradia está mais exposto aos riscos de contaminação pelo coronavírus, que até o momento, Manaus possui 12.317 (48,56%) casos confirmados da covid-19 e 13.050 no interior do Estado (51,44%), de acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS).

Os dados chamam atenção, ainda, para a distância entre as casas e as unidades básicas de saúde, que chega a ser de até dois quilômetros, conforme destacou o Disseminador de Informações na IBGE, Adjalma Jaques.

“O objetivo do estudo é mostrar as distâncias entre os aglomerados subnormais, que são aquelas áreas de grande concentração populacional e as unidades de saúde das redondezas. Tudo isso é fruto da falta de planejamento nas nossas cidades e nas ocupações das moradias”, comentou.

Números absolutos

No Amazonas, mais de 393,995 mil moradias são consideradas aglomerados subnormais, colocando o Estado na 5ª posição em números absolutos entre as unidades da federação com mais domicílios em aglomerados subnormais. Em todo o Estado, são 28 municípios possuem aglomerados subnormais.

Embora Manaus lidere com maior proporção, Santo Antônio do Içá está na segunda posição com 34%. Coari, Itacoatiara, Iranduba, Tonantins, Tefé e Amaturá possuem valores entre 20 e 28%.

Os dados, estimados para o ano de 2019, têm como base o levantamento Aglomerados Subnormais: Classificação preliminar e informações de saúde para o enfrentamento à Covid-19. Esses dados sobre os aglomerados subnormais fazem parte de um levantamento que, geralmente, é feito para o Censo, que ocorreria este ano, mas acabou adiado pela dificuldade de se realizar pesquisas domiciliares durante a pandemia.

“Mas antecipamos a divulgação desses dados para mostrar qual é a situação dos aglomerados subnormais em municípios e estados, já que nessas localidades a população tem maior suscetibilidade ao contágio pela doença provocada pelo novo coronavírus, devido à grande densidade habitacional”, explicou o gerente de Regionalização e Classificação Territorial do IBGE, Maikon Novaes.

Entre os dez estados com maior incidência de contaminação pelo novo coronavírus, oito apresentam também as maiores proporções dessas moradias irregulares. Depois do Amazonas, com 34,59%, vem o Espírito Santo (26,10%), o Amapá (21,58%), Pará (19,68%) e o Rio de Janeiro (12,63%). Em São Paulo, 7,09% dos domicílios estão nessas localidades. O estado mais populoso do país, contudo, tem pouco mais de um milhão de casas em aglomerados subnormais. O estado com a menor proporção é o Mato Grosso do Sul (0,74%).

 

Outras cidades e regiões

Embora a proliferação de aglomerados subnormais seja associada, geralmente, a cidades maiores, como Rio de Janeiro e São Paulo, o levantamento mostra que essas comunidades estão localizadas em grande proporção em cidades pequenas e capitais do Norte e Nordeste do país.

O município de Vitória do Jari, no Amapá, tem 74% dos domicílios localizados em aglomerados subnormais. Na cidade vivem 15,9 mil pessoas.

Belém (PA) e Manaus (AM) têm mais da metade dos domicílios ocupados em aglomerados subnormais, 55,5% e 53,3%, respectivamente. Logo em seguida vem Salvador, na Bahia, com 41,8% das habitações em comunidades carentes.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, as capitais mais populosas do país, a proporção de domicílios em aglomerados subnormais não passa de 20%, mas a quantidade de imóveis nessas comunidades é a maior entre todas as demais capitais: no Rio são 453.571 domicílios em aglomerados subnormais, e em São Paulo, 529.921. A capital paulista tem quase o dobro da população da capital fluminense.

A Rocinha, no Rio, é o maior aglomerado subnormal do país, com 25.742 domicílios. Completam o grupo a comunidade do Sol Nascente, no Distrito Federal, com 25.441 casas; Rio das Pedras, também no Rio, com 22.509; e Paraisópolis, em São Paulo, com 19.262 domicílios em aglomerados subnormais.

*Com informações do IBGE

 

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