Manaus, domingo 18 de janeiro de 2026
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Justiça italiana mantém Carla Zambelli presa após audiência de custódia em Roma

*Da Redação Dia a Dia Notícia 

A Justiça da Itália decidiu manter a prisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), detida desde 27 de julho, em Roma. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (1º) pela Embaixada do Brasil na Itália. A parlamentar foi presa por violar regras do tratado de Schengen, que estabelece normas de circulação entre países europeus. Ela estava com um passaporte vencido.

A Embaixada brasileira informou que a Corte de Apelação de Roma rejeitou, no dia 26 de julho, o pedido da defesa de Zambelli para que ela aguardasse o processo em liberdade.

“Segundo informado por autoridades italianas, em 26 de julho, a Corte de Apelação de Roma indeferiu pedido de Carla Zambelli de responder ao processo em liberdade. A decisão foi comunicada à interessada e à Embaixada do Brasil em Roma em 1º de agosto”, disse o Itamaraty.

Zambelli está presa na seção feminina da penitenciária de Rebibbia, na capital italiana. Desde a prisão, o Itamaraty afirma que acompanha o caso por meio da embaixada em Roma e presta a assistência consular cabível à parlamentar.

Considerada pela Polícia Federal como foragida, Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por falsidade ideológica e invasão cibernética ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – o que motivou o seu pedido de extradição apresentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa da deputada e o Partido Liberal acionaram autoridades italianas para tentar barrar a extradição. Após a audiência de custódia, o processo segue agora para a Corte de Apelação de Roma, onde a Justiça italiana e os advogados de Zambelli apresentarão seus argumentos. A decisão ainda pode ser contestada na Corte de Cassação, instância máxima do Judiciário italiano.

Mesmo com aval do Judiciário, a palavra final cabe ao Ministério da Justiça da Itália, que pode negar a extradição por motivos políticos. O atual governo italiano, liderado por Giorgia Meloni, tem afinidade ideológica com setores da base de apoio de Zambelli, o que pode pesar na análise final do caso. Em caso de autorização da extradição, a defesa ainda poderá recorrer à Justiça administrativa, em instâncias como o Tribunal Administrativo Regional e o Conselho de Estado.

Especialistas avaliam que o processo pode se estender por até dois anos, embora exista a possibilidade de Zambelli ser solta antes, especialmente se houver entraves de natureza política. Casos de extradição costumam envolver disputas prolongadas e forte influência de interesses governamentais — como ocorreu no Brasil durante o processo envolvendo Cesare Battisti.

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