*Da Redação do Dia a Dia Notícia
O Rio de Janeiro atualmente abriga ao menos 101 traficantes oriundos de outros estados, escondidos em comunidades da Região Metropolitana, todas dominadas por facções criminosas. Dentre esses traficantes, 14 são do Amazonas e estão ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV), atuando na Favela Parque União e no Complexo do Alemão. Essas informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.
Segundo Carolina Grillo, coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da Universidade Federal Fluminense (UFF), esse movimento migratório não é recente. O CV, fundado no Rio no final da década de 1970, já expandiu suas atividades para outros estados, principalmente do Norte-Nordeste, há pelo menos uma década. A criação dos presídios federais em 2006 também contribuiu para essa expansão, já que cada líder preso mobiliza um grupo de criminosos para a região onde está detido. Além disso, a visibilidade reduzida em outros estados torna mais fácil para criminosos conhecidos passarem despercebidos.
Paulo Storani, antropólogo e ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio, ressalta que a alta concentração de comunidades controladas pelo tráfico em áreas urbanas, juntamente com o grande número de criminosos nelas presentes e o fácil acesso a armas, são atrativos para quem busca se esconder. A falta de efetivo policial também contribui para essa situação, já que o contingente da Polícia Militar é insuficiente para atuar em todas as comunidades.
Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou um relatório sobre a situação da segurança no Rio, relacionado à Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, que restringe as operações policiais em favelas. Segundo a Polícia Civil, após a implementação dessa medida, líderes de facções de outros estados passaram a priorizar o Rio como esconderijo.
A presença de chefes de facções de outros estados no Rio também é observada no caso do Pará, onde ações policiais intensificadas após uma escalada de mortes de agentes públicos podem estar relacionadas à migração de traficantes para o Rio. Walter Resende, delegado-geral do Pará, destaca que a geografia e as dificuldades das ações policiais em favelas do Rio tornam o estado um refúgio atrativo para os criminosos. Esses traficantes, mesmo escondidos no Rio, continuam exercendo controle sobre seus redutos, transmitindo ordens por meio de comparsas ou advogados.
