*Da Redação Dia a Dia Notícia
Brasília volta a ser palco de resistência, neste sábado (2), com o início da IV Marcha das Mulheres Indígenas, que reúne milhares de representantes de povos originários de todas as regiões do Brasil. Com o tema “Nosso Corpo, Nosso Território: Somos as Guardiãs do Planeta pela Cura da Terra”, o evento reafirma o protagonismo das mulheres indígenas na luta por direitos, reconhecimento, território e proteção ambiental.
Com cantos, rituais, palavras de ordem e corpos pintados com grafismos ancestrais, a marcha transforma as ruas da capital federal em um espaço de reivindicação política e espiritual. O ato não é apenas uma manifestação: é também um chamado à consciência coletiva sobre o papel das mulheres indígenas na defesa da Mãe Terra e na cura do planeta.
Além da marcha, o evento abre caminho para a I Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, que começa oficialmente na segunda-feira (4). O encontro histórico será voltado à construção de propostas e políticas públicas a partir da escuta e da vivência das mulheres dos povos originários. A conferência pretende consolidar um espaço institucional de diálogo entre lideranças indígenas e o Estado brasileiro, reconhecendo saberes tradicionais e demandas urgentes em saúde, educação, território e combate à violência.
Organizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), a IV Marcha é marcada por um crescimento expressivo do movimento indígena feminino, que, nos últimos anos, tem ampliado sua presença nas pautas públicas e nos espaços de decisão.
Para as participantes, “o corpo é território sagrado”, e lutar por sua integridade é lutar também pela preservação dos biomas, pela demarcação das terras indígenas e pela sobrevivência das futuras gerações. Em tempos de avanço sobre os territórios e retrocessos nos direitos ambientais, a marcha é também uma denúncia e um apelo.
A programação segue até o dia 8 de agosto, com rodas de conversa, plenárias, apresentações culturais e debates sobre saúde, racismo, ancestralidade, violência e políticas de reparação. A expectativa é de que esta edição seja a maior já realizada desde a criação da marcha, em 2019.
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