*Da Redação do Dia a Dia Notícia
Dois irmãos naturais de Manaus estão entre as vítimas da operação policial realizada na última terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, zona Norte do Rio de Janeiro. Os corpos dos manauaras foram encontrados abraçados, segundo informações da Agência Brasil. Os nomes das vítimas foram preservados a pedido das famílias.
O achado foi feito por Fernando Argivaes, agente funerário que coordenou um grupo de seis voluntários no resgate dos corpos na região. De acordo com moradores e a Associação de Moradores do Parque Proletário da Penha, os irmãos foram baleados na cabeça e tiveram as digitais cortadas, um indício da extrema violência que marcou a ação policial.
Relatos de moradores descrevem uma cena de horror, com corpos espalhados pela mata, sinais de tortura, decapitações e execuções — inclusive de pessoas que já haviam se rendido. A operação, chamada de “Contenção”, mobilizou cerca de 2,5 mil policiais e tinha como objetivo enfrentar o avanço da facção Comando Vermelho (CV), além de cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 de prisão, sendo 30 deles expedidos no Pará.
Segundo o governo do Rio, a ação foi considerada um “sucesso”, resultando em 113 prisões, 118 armas apreendidas e mais de uma tonelada de drogas confiscadas. No entanto, testemunhas, familiares e organizações de direitos humanos questionam o discurso oficial, alegando execuções sumárias, impedimento de socorro a feridos e violência indiscriminada contra moradores.
A operação foi classificada como a mais letal da história do Brasil, com mais de 120 mortos, segundo balanço preliminar. Entidades civis cobram investigação independente e responsabilização dos agentes envolvidos nas mortes, incluindo as vítimas manauenses, cuja história simboliza o alcance nacional das tragédias causadas pela violência policial.
