*Lucas dos Santos – Especial para Dia a Dia Notícia
Membros do setor produtivo amazonense adotaram tom de cautela após o anúncio de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras aos Estados Unidos. A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump na última semana.
Em nota divulgada à imprensa, o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) avaliou que o impacto direto sobre a Zona Franca de Manaus (ZFM) tende a ser reduzido, já que há muito mais importações do que exportações junto aos EUA.
“De forma geral, o Brasil exporta cerca de US$ 40 bilhões anualmente para os EUA, sendo São Paulo o principal estado exportador, com US$ 13 bilhões. O Amazonas, por sua vez, ocupa a 18ª posição, com exportações que somam aproximadamente US$ 99 milhões, o que demonstra uma baixa dependência do mercado norte-americano no contexto do Polo Industrial de Manaus (PIM)”, diz a nota.
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Por outro lado, o Cieam ressalta que efeito sobre as importações pode ser mais sensível, atingindo setores como o de termoplásticos, que importou R$ 600 milhões em polímeros dos Estados Unidos no ano passado.
“O Cieam seguirá monitorando a situação e reforça a importância de uma atuação coordenada entre o setor produtivo e o governo brasileiro para proteger os interesses da indústria nacional e preservar os avanços conquistados pelo modelo ZFM ao longo de décadas”, afirmou a instituição.
O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Pinheiro, destacou que os efeitos colaterais do tarifaço de Trump tende a frear o dinamismo econômico global e nacional, podendo impactar indiretamente a ZFM, cuja produção é majoritariamente voltada ao mercado interno.
“A queda na atividade econômica do país pode reduzir o consumo, encolher a produção local e afetar empregos e investimentos em Manaus. Por isso, o momento exige cautela, monitoramento permanente e uma articulação do Governo Federal para defender a competitividade da ZFM”, disse.
