*Da Redação Dia a Dia Notícia
Indígenas realizaram um protesto fluvial e ocuparam uma balsa ligada à operação da Cargill no rio Tapajós, nesta quinta-feira, 19, em Santarém, no Oeste do Pará. A mobilização ocorre após quase um mês de manifestações em frente às instalações da empresa e tem como principal reivindicação a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que incluiu trechos de hidrovias amazônicas no Programa Nacional de Desestatização (PND), abrindo caminho para concessões privadas.
Segundo lideranças indígenas, a ação faz parte da pressão pela revogação do Decreto nº 12.600, que inclui trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização, abrindo caminho para concessões privadas em mais de 3 mil quilômetros de hidrovias. Os manifestantes afirmam que as medidas podem resultar em dragagens e outras intervenções com impactos socioambientais.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram indígenas entrando na água para acessar a embarcação e permanecendo em barcos próximos, com faixas e instrumentos tradicionais. Um barco da Polícia Federal foi visto nas proximidades. Lideranças acusam o órgão de tentar interferir na mobilização e de atuar em defesa da empresa, o que é negado oficialmente até o momento.
O movimento reúne povos do Baixo, Médio e Alto Tapajós, além de representantes Panará, Kayapó e Munduruku. Para eles, o rio é fonte de alimento, cultura, espiritualidade e sustento, e não pode ser tratado como mercadoria. “Nossos rios não estão à venda”, diziam as faixas exibidas durante o ato.
A ocupação do porto e das balsas segue com barqueatas, discursos e novas mobilizações previstas para os próximos dias. A reportagem procurou a Cargill para comentar o protesto e aguarda posicionamento.
