*Lucas dos Santos – Especial para Dia a Dia Notícia
O Ministério Público Federal (MPF) afirmou nesta quarta-feira (14) que a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tinha conhecimento do risco de falta de oxigênio no Amazonas 17 antes do colapso que atingiu Manaus em 14 de janeiro de 2021. Na época, pelo menos 60 pessoas morreram sufocadas em dois dias.
Segundo o procurador Igor Jordão Alves, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi informada em 28 de dezembro de 2020 que o estoque de oxigênio da empresa White Martins, fornecedora do insumo para o governo estadual, estava em níveis críticos. Na época, o diretor-geral do órgão era Alexandre Ramagem, hoje ex-deputado cassado e condenado como integrante da tentativa de golpe de estado de 2023.
“Os relatórios revelam que havia um gargalo exponencial por oxigênio, em que, a cada dia, faltava mais insumo e mais vidas deixavam de ser salvas. Esse déficit só foi corrigido em 30 de janeiro de 2021”, destacou o procurador.
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As investigações apontam que pelo menos 60 pessoas morreram diretamente em decorrência da falta de oxigênio na cidade de Manaus após o colapso da saúde em 14 de janeiro. Em 2021, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que integrantes da gestão Wilson Lima (União) alertaram o então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, sobre o risco de faltar oxigênio na capital amazonense, mas o governo não tomou medidas preventivas.
Na época, artistas, influenciadores e até mesmo o governo da Venezuela precisaram enviar cilindros de oxigênio para atender à demanda da cidade. O governo de Jair Bolsonaro enviou o insumo somente após o colapso e escolheu transportá-lo pela BR-319, atrasando ainda mais a chegada.
