*Da Redação Dia a Dia Notícia
Uma enfermeira indígena denunciou ter presenciado um caso de violência obstétrica e negligência médica durante o parto da neta, ocorrido no dia 23 de dezembro de 2025, na maternidade Moura Tapajóz, no bairro Compensa, zona Oeste de Manaus. Segundo o relato de Clotilde Mendes Bastos, da etnia Ticuna, a nora e a bebê passaram por uma experiência traumática após horas de sofrimento, uso de ocitocina e ausência de acompanhamento médico adequado, mesmo com a gestante já em trabalho de parto avançado.
Segundo declarações concedidas ao Portal Cenarium, a avó Clotilde Tikuna, disse que os exames de ultrassonografia realizados durante a gestação indicavam sobrepeso fetal. “A bebê já estava com sobrepeso no ventre, como aparecia na ultrassom, com cerca de 3,5 quilos”, afirmou.
Clotilde acompanhou a nora durante todo o processo em que a gestante apresentava fortes contrações. De acordo com o relato, em um dos momentos a mulher já estava com dez centímetros de dilatação, pronta para o nascimento da filha. No entanto, o parto não evoluiu como esperado. Mesmo diante desse quadro, a família relata que o parto normal foi mantido, sem indicação prévia de cesariana. Diante da dificuldade para a saída do bebê, foi realizada uma manobra obstétrica, utilizada em casos de distócia de ombro e após o nascimento foi constatada fratura de clavícula na recém-nascida.
Em entrevista ao Portal Rio de Notícias, Clotilde também relatou demora na assistência médica durante os períodos de contrações: “O médico autorizou o uso de ocitocina para intensificar as contrações, mas a criança não descia e a mãe já estava muito fraca. Ele disse que voltaria em dez minutos, o que não aconteceu. Depois disso, uma enfermeira rompeu a bolsa. A bebê chegou a coroar, mas não conseguiu nascer”, relatou Clotilde.
A família também questionou o preenchimento na declaração de nascimento da neta, alegando não constar os dados ou assinaturas de CRM de quaisquer profissionais responsáveis pelo atendimento.
