*Da Redação Dia a Dia Notícia
O estudo ‘Financiando a Bioeconomia da Pan-Amazônia’, realizado pela Impact Finance (novo nome da Impact Not a Bank), revela que apenas 8,5% dos mecanismos financeiros mapeados são voltados exclusivamente à sociobioeconomia, atendendo cadeias comunitárias, tradicionais e extrativistas com foco em segurança alimentar, inclusão produtiva e fortalecimento da economia da floresta em pé. Outros 34% oferecem apoio à bioeconomia geral, sem direcionamento específico. Segundo a pesquisa, o principal desafio não é a falta de recursos, mas o difícil acesso dos empreendedores locais e a inadequação dos modelos financeiros às realidades territoriais da Amazônia.
O levantamento analisou 141 instrumentos financeiros ativos nos oito países da região e revela um ecossistema diverso, porém fragmentado. Embora haja variedade de mecanismos, que vão de subsídios e fundos de capital aos instrumentos como créditos de biodiversidade e trocas de dívida por natureza, concluiu-se então que o principal desafio identificado não é a ausência de recursos, mas as dificuldade de acesso para os empreendedores locais e a má adequação desse modelo financeiro às realidades da Amazônia.
“Os resultados do estudo mostram que há recursos disponíveis, mas ainda pouco adaptados à realidade de quem conserva, vive e produz na Amazônia. Precisamos de mecanismos que partam do território, com governança transparente, critérios mais compatíveis e instrumentos de de-risking adequados, para que o capital chegue de fato às cadeias produtivas da sociobioeconomia”, afirma Gabriel Ribenboim, CEO e cofundador da Impact Finance.
O estudo também aponta que 57,5% operam com financiamento combinado, integrando capital público, privado e filantrópico, estrutura considerada estratégica para reduzir riscos e ampliar o fluxo de investimentos voltados a cadeias sustentáveis e inclusivas.
O estudo completo “Financiando a Bioeconomia da Pan-Amazônia” pode ser acessado no site: naturefinance.net.
Impact Finance
A participação da Impact Finance no estudo reflete a atuação prática no ecossistema de finanças de impacto socioambiental no Brasil. A organização tem se consolidado como uma aliada estratégica de negócios da bioeconomia ao estruturar soluções financeiras que combinam capital público, privado e filantrópico, com atenção especial à governança, ao desenho de instrumentos híbridos e à mensuração de impacto socioambiental.
Diferentemente de instituições financeiras tradicionais, a Impact Finance foi concebida para colocar o impacto socioambiental no centro da tomada de decisão. Estruturada como uma plataforma integrada de finanças sociais e ambientais, no conceito de um one-stop-shop, ou seja tudo num só lugar, e atende tanto quem busca alocar e monitorar capital com impacto, quanto quem precisa acessar recursos de forma estruturada, transparente e alinhada aos resultados socioambientais.
O modelo combina produtos financeiros, como conta digital, cartão de crédito, uma infraestrutura digital de gestão de finanças e metas sociais e ambientais, chaamda de ‘Impact Map’, com a oferta de serviços especializados de estruturação e gestão. Tudo pensado para que empresas e organizações da sociedade civil acessam diretamente produtos financeiros e ferramentas de gestão com inteligência artificial, que facilitem a organização dos recursos, o controle financeiro, o monitoramento e o reporte de resultados socioambientais.
Um dos mecanismos operados pela plataforma é o ‘Amazon Food&Forest’, que combina crédito, assistência técnica e critérios robustos de gestão social e ambiental para apoiar cadeias produtivas sustentáveis que mantêm a floresta em pé.
Negócios de impacto
A Impact Finance integra o portfólio de negócios da AMAZ, aceleradora de impacto coordenada pelo Idesam, voltada ao fortalecimento de empreendimentos que nascem e operam a partir da Amazônia rural. Além da jornada de aceleração com mentorias estrategicamente customizada de acordo com o perfil e a fase do negócio, a AMAZ oferece suporte financeiro e estratégico para iniciativas que enfrentam desafios semelhantes relacionados à gestão de recursos, acesso a capital e sustentabilidade financeira, além de promover a conexão entre os diversos atores da sociobioeconomia, como os próprios 16 negócios, que estão atualmente ativos no portfólio da AMAZ.
Um dos exemplos dessa atuação é o Fundo Tucum, mecanismo voltado ao financiamento da sociobioeconomia indígena por meio de iniciativas de geração de rendas sustentáveis, financiáveis e com risco controlado. A iniciativa busca promover o desenvolvimento econômico de comunidades indígenas, valorizando os conhecimentos tradicionais e recursos naturais, ao mesmo tempo em que fortalece a preservação ambiental e cultural.
Com metas projetadas para cinco anos, o Fundo Tucum pretende beneficiar mais de 2.400 artesãs em 31 territórios, envolvendo 54 etnias em três biomas, Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, abrangendo cerca de 32 milhões de hectares de Terras Indígenas e Áreas Protegidas. A Impact Finance atua na estruturação financeira da iniciativa, contribuindo para a organização dos fluxos de recursos e para a consolidação de critérios socioambientais e de governança.
“Essa parceria entre a Tucum e a Impact Finance, ambos negócios do portfólio da AMAZ, trouxe apenas benefícios para as duas empresas. Estamos sempre nessa escuta ativa com os negócios, promovendo conexões entre eles, fazendo pontes entre investidores anjos, além das mentorias específicas, customizadas de acordo com as necessidades de cada iniciativa”, explica Gabriela Souza, líder de novos negócios do Idesam e gestora da Amaz.
*Com informações da assessoria
