*Da Redação do Dia a Dia Notícia
A Natural One, empresa brasileira líder na fabricação de sucos 100% naturais, bebidas de aveia e bebidas funcionais, avalia a possibilidade de implantação de uma unidade fabril em Manaus, aproveitando os incentivos fiscais e a infraestrutura oferecida pela Zona Franca de Manaus. A reunião ocorreu na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) juntamente com o superintendente Bosco Saraiva e os representantes da empresa na quarta-feira, dia 26.
Na reunião, os representantes disseram que o objetivo é expandir a produção para a região, com a busca por oportunidades de industrialização e a utilização de insumos locais. A intenção é deixar de ser uma empresa de engarrafamento de suco de laranja e se tornar uma fabricante de bebidas, com um portfólio que vai incluir desde néctares de frutas até chás e leites vegetais, energéticos e isotônicos.
“Estamos no primeiro momento de análise das oportunidades e em busca de parceiros que nos forneçam açaí, cupuaçu e guaraná. Estamos muito interessados nas frutas locais, o que traria um diferencial competitivo para nossos produtos”, disse Rafael Catolé, vice-presidente e gerente-geral da empresa.
O executivo esteve em Manaus para saber quais são as condições fiscais e incentivos para montar uma fábrica na região, o que poderá ocorrer em cerca de três anos.
“Talvez tenhamos uma fase inicial com parceiros. Nossa ideia é, inclusive, cooperar com outras indústrias locais. Existe a possibilidade de trabalharmos com enlatados, que ainda não exploramos. Vemos uma grande oportunidade aqui em Manaus”, explicou.
Atualmente, a companhia está sediada em Jarinu, interior de São Paulo, com capacidade produtiva de 200 milhões de litros anuais de sucos, de laranja, uva e maçã, e outros.
Criada em 2012 por uma ideia de Ricardo Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, a companhia não divulga seu faturamento, mas o mercado calcula que esteja próximo de chegar a R$ 1 bilhão. Em 2023 (último dado disponível), a companhia registrou uma receita líquida de R$ 635,4 milhões, segundo o Valor Data.
A Natural One exporta para mais de 15 países e tem até uma parceria com a gigante varejista chinesa Alibaba para vender o suco natural na Ásia.
A busca por novos produtos está atrelada ao menor consumo de suco de laranja no mundo. Não há dados específicos sobre a demanda pela bebida no Brasil, mas na Europa houve um recuo de 0,23% no consumo em 2023/24, na comparação com a safra anterior, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Nos EUA, a consultoria Nielsen aponta uma baixa de 24,5% nas quatro semanas encerradas em 1º de novembro de 2024 (último dado disponível), em comparação às quatro semanas anteriores. O consumo de suco fresco recuou 0,9% na mesma comparação.
“Os hábitos do consumidor vêm sendo alterados e queremos participar de toda a jornada de bebidas explorada por eles”, afirmou Catolé. O executivo não divulgou os valores de investimento nos projetos de expansão.
A reunião

Participaram da reunião pela Suframa, o superintendente Bosco Saraiva; coordenador-geral de Análise de Projetos Industriais, Mauricio Itikawa; e coordenador-geral de Análise e Acompanhamento de Projetos Agropecuários, Sérgio Rocha Muniz. Pela empresa: Rafael Catolé, vice-presidente e gerente da empresa; José Imar, contador e assessor do projeto; Fernando Silveira, consultor tributário; Denner Jader Rodrigues, engenheiro e consultor da área industrial; e Pedro Canaã, assessor da consultoria local.
“A Suframa está sempre de portas abertas para empresas que enxergam na Zona Franca de Manaus um polo estratégico de crescimento e inovação. A possível chegada da Natural One reforça o potencial da região para impulsionar novos negócios, gerar empregos e agregar valor à economia local por meio da industrialização sustentável e do aproveitamento dos insumos amazônicos”, ressaltou o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva.