Manaus, domingo 18 de janeiro de 2026
Pesquisar

booked.net

Empreendedores amazônicos mostram na COP30 como a bioeconomia realmente acontece nas rodas de conversa fora da Zona Azul

*Da Redação do Dia a Dia Notícia 

Enquanto chefes de Estado, autoridades e negociadores se concentram nas zonas Azul e Verde da COP30, em Belém, outra COP acontece no chão da cidade, impulsionada por quem vive, empreende e transforma a floresta todos os dias. É a COP da bioeconomia real, aquela que não cabe nos discursos oficiais, mas pulsa nos territórios. Um dos epicentros dessa movimentação é a Bem Cafeinado, cafeteria criada pela empreendedora Liane Dias, no bairro do Reduto. O espaço se tornou ponto de encontro de produtores, aceleradoras, investidores e negócios de impacto que estão moldando o futuro da sociobioeconomia amazônica.

“A ideia é conectar parceiros importantes com gente que está realmente envolvido com a tão falada bioeconomia amazônica e promover essa integração é fundamental para evitar narrativas fantasiosas sobre mudanças climáticas e a sociobioeconomia”, argumenta a empreendedora.

Paula Macedo, gestora de portfólio de negócios da Amaz Aceleradora de impacto, iniciativa coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável, Idesam, explicou como vencer os desafios para ter acesso ao capital filantrópico e privado, durante uma conversa com produtores e empreendedores que atuam com o café, uma das paixões nacionais que vem sofrendo o impacto das mudanças climáticas com a seca e calor, que prejudicam as lavouras no Brasil e no mundo.

“O capital filantrópico está cada vez mais escasso globalmente e não é suficiente para resolver todos os problemas sociais e ambientais. Na Amaz nós trabalhamos com um fundo oriundo de capital filantrópico e privado para apoiar negócios que já estão promovendo mudanças na Amazônia Rural. Com esse fundo já conseguimos avaliar mais de 500 negócios e temos hoje 16 ativos no portfólio”, explicou a gestora.

Outra iniciativa do Idesam para fomentar negócios de impacto na Amazônia e que foi lançada no FIINSA COP30, a Zôma – geradora que surge para apoiar empreendedores, pesquisadores e negócios de base comunitária e tecnológica comprometidos com uma economia de floresta em pé, também esteve na roda por meio de Renato Rebelo, líder da Zôma.

“A Zôma é sobre apoiar empreendedores que ainda estão no início da jornada, aqueles que têm uma ideia, um protótipo ou um produto, mas ainda não conseguiram acessar mercado. Queremos preparar essa base para o crescimento e para uma economia que valoriza a Amazônia viva”, explicou Renato durante o bate papo.

A proposta é atuar como uma venture builder amazônica, ou seja, uma geradora que não apenas acelera, mas estrutura negócios desde as fases iniciais. Os participantes selecionados terão acesso a mentorias, suporte técnico e administrativo, apoio em marketing, jurídico e financeiro, além de conexões com investidores e mercados estratégicos.

Na outra ponta, os produtores da Cooperativa Mista de Agricultura Familiar do Polo Barreta (Coopermab), em Vigia de Nazaré, município paraense conhecido como a capital do Tucupi, mas que também foi o lugar onde as primeiras mudas e sementes do café tocaram o solo brasileiro, trouxeram pra roda a experiência com o café selvagem.

“São árvores centenárias que estão no nosso território. A cooperativa nasceu informalmente em 2021 e hoje temos 50 famílias envolvidas na pesca artesanal e no cultivo de frutas, legumes e hortaliças e estamos trabalhando para inserir o café, porque atualmente só temos as árvores ancestrais que estão no meio da nossa floresta, sem o manejo”, comentou Maria Souza, integrante da cooperativa.

A cooperativa já fornece a polpa do Bacuri, fruto nativo da Amazônia, para negócios como a Aruanas, que produz alimentos com sabores da região. A Aruanas surgiu da inquietação da jovem Luise Lima, que cansada de ver produtos nos supermercados de Belém com ingredientes como blue berry, como barrinhas de cereais e geleias, resolveu arregaçar as mangas para trazer o gosto da Amazônia paraense para as prateleiras da cidade.

“Existem coisas que não cabem na embalagem. A Aruanas já ajuda na recuperação de 30 mil metros de áreas degradadas com sistema agroflorestais. Além de trazer o sabor da nossa terra pra dentro do mercado da região”, pontua a empreendedora de impacto.

Entre no nosso Grupo no WhatsApp

Antes de ir, que tal se atualizar com as notícias mais importantes do dia? Acesse o WhatsApp do Portal Dia a Dia Notícia e acompanhe o que está acontecendo no Amazonas e no mundo com apenas um clique

Você pode escolher qualquer um dos grupos, se um grupo tiver cheio, escolha outro grupo.