*Da Redação do Dia a Dia Notícia
A Amazônia continua sendo um território extremamente perigoso para a imprensa. Um debate sobre a urgência de protocolos de segurança para jornalistas e suas fontes voltou à tona três anos após o assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira. O cenário, marcado por violência e desinformação, foi discutido por profissionais experientes da área. A jornalista amazonense, Paula Litaiff, CEO da Revista Cenarium, participou desse debate no 20º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, realizado nessa quinta-feira (10).
Segundo a jornalista Steffanie Schmidt, do site “O Varadouro”, a cobertura de ilegalidades socioambientais na região é um “cenário cotidiano” de conflito. Paula Litaiff, fundadora da Revista Cenarium, destacou que os desafios sociopolíticos e geográficos colocam a vida dos profissionais e suas fontes em risco, tornando a adoção de protocolos de segurança nas redações essencial.
O relatório “Fronteiras da informação” do Instituto Vladimir Herzog, revela 230 casos de violência contra jornalistas na Amazônia nos últimos 10 anos. A Abraji aponta que 57% dos ataques são realizados por agentes privados, como garimpeiros e traficantes, e 50% estão ligados a questões políticas. Schmidt criticou a falta de comprometimento estatal, que permite a sistematização do perigo na região.
Além dos riscos físicos, há desafios logísticos e a dificuldade de comunicação, já que muitos canais são controlados por criminosos. Schmidt sublinhou que a desinformação é usada como uma ferramenta para fortalecer discursos antiambientais na região.
