*Da Redação Dia a Dia Notícia
Às vésperas do Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, a Prefeitura de Manaus foi denunciada pela ativista indígena Vanda Witoto, nessa terça-feira, 03, por suposto abandono do Parque das Tribos, no bairro Tarumã-Açu, zona Oeste da capital. Segundo os relatos divulgados nas redes sociais, moradores da comunidade enfrentam falta de pavimentação e de saneamento básico, além de acúmulo de lixo, insegurança e outros problemas que afetam diretamente crianças, idosos e famílias indígenas, que vivem no maior bairro indígena do Brasil, em homologação.
As publicações repercutiram nas redes sociais e reacenderam o debate sobre a responsabilidade do poder público na garantia de direitos básicos às populações indígenas que vivem em áreas urbanas. Até o momento, a Prefeitura de Manaus não se manifestou oficialmente sobre as denúncias.
A ativista não só denunciou a falta de infraestrutura básica no Parque das Tribos, como também detalhou as consequências dessa precariedade na vida cotidiana dos moradores. Segundo relatos já publicados em matérias internacionais, a comunidade enfrenta ruas esburacadas que se transformam em verdadeiros cursos d’água durante a temporada de chuvas, carregando lixo para os córregos e para o rio Negro, devido à ausência de pavimentação e de um sistema de drenagem adequado. Além da dificuldade de movimentação dos moradores pela parte da noite, causada pela ausência de iluminação pública adequada.
No vídeo, a ativista chega a afirmar que o abandono pode ser classificado como “racismo ambiental”, nome dado às consequências desiguais às camadas mais marginalizadas da população, especialmente as minorias étnicas, quando sofrem de forma proposital os impactos da degradação ambiental.
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Apesar dos desafios estruturais, o Parque das Tribos segue resistindo como um importante símbolo de preservação cultural indígena dentro da capital amazonense. Em meio à expansão urbana, a comunidade mantém vivas tradições, rituais, línguas e costumes ancestrais, reforçando a identidade dos povos originários que vivem no local.
Maior bairro Indígena do Brasil em homologação
Fundado em abril de 2014, o Parque das Tribos surgiu a partir de uma ocupação organizada por diferentes lideranças indígenas e hoje abriga cerca de 5 mil pessoas, distribuídas em aproximadamente 860 famílias. A comunidade reúne indígenas de mais de 35 etnias, de diversas regiões da Amazônia e de estados como Roraima, Pará e Acre, em uma área de 37 hectares na zona Oeste, área urbana de Manaus.
Preservação
Entre as etnias presentes estão Munduruku, Sateré-Mawé, Tikuna, Tucano, Baniwa, Tariano, Dessano, Curripaco, Wanano, Mura, Cambeba e Marubo. A diversidade étnica é uma das marcas do local, que se consolidou como referência de convivência intercultural e fortalecimento das identidades indígenas em contexto urbano.
A preservação da cultura é parte essencial do cotidiano dos moradores. O ensino das línguas maternas ocorre dentro das famílias e no convívio comunitário, garantindo que os idiomas ancestrais sejam transmitidos às novas gerações. A culinária tradicional também tem papel central, com pratos típicos como a ‘quinhapira’, conhecida como “comida dos deuses”, geralmente acompanhada de beiju e pimenta.
Além da gastronomia, o Parque das Tribos mantém vivas manifestações culturais como a Dança dos Mascarados, festas religiosas e celebrações coletivas. A Maloca comunitária é o principal espaço de encontros sociais, políticos e espirituais, funcionando como o centro cultural da comunidade.
É nesse espaço que os povos indígenas celebram datas importantes, como o Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, e o Dia Internacional dos Povos Indígenas, em 9 de agosto, reafirmando a resistência, a união e a luta por direitos em meio à cidade.
