*Da Redação Dia a Dia Notícia
O cinegrafista amazonense Renato Belém Ramos, 39, que se alistou para lutar na guerra da Ucrânia, foi atingido por um míssil de artilharia do exército Russo durante ação militar na província de Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia, onde os russos já ocupam cerca de 20% do território e que abriga a maior usina nuclear. Belém atua como membro da Legião Internacional de Defesa Territorial criada pelo governo de Volodymyr Zelensky para receber combatentes estrangeiros.
Atuando há cerca de 6 meses no território ucrâniano como soldado ‘Mharverek’, Belém foi atingido na costela por estilhaços de um míssel durante uma ação militar que se preparava para atacar uma tropa russa.
“Na nossa posição, a gente iria esperar uma tropa russa passar para atacar. Mas a gente não chegou nessa posição, demoramos a chegar porque o front é perigoso. No caminho a gente parava nos bunkers, descansava e continuava, demoramos 5 dias a chegar nesse ponto onde fomos atingidos”, relatou.
O soldado contou que o míssel também feriu e matou outro soldado da equipe e lamentou a morte do amigo estrangeiro.
“É uma situação de muito desespero, mas como um líder tiver manter a calma porque eu com 39 anos, os outros meninos tinham de até 19 anos. Eu como mais velho tive que manter a calma. Lamento pelo meu companheiro que foi um irmão. A pior cena foi precisar levar meu colega cerca de 6km até o socorro. Ele estava consciente e gritava para que fosse salvo. A artilharia caiu de novo e precisamos nos esconder dos drones. Todo esse esforço colaborou para que ele fosse a óbito. Era distante o ponto de extração do front. Todos ficamos em risco. Tentamos chegar com ele com vida, mas ele não resistiu e faleceu ainda no caminho”, lamentou.
Belém enfrenta os horrores do front da guerra, que hoje conta além das traiçoeiras minas terrestres e de artilharia pesada, com enxames de drones kamikases teleguiados, que podem levar até 3kg de explosivos e, quando avistam um alvo são mortais, mesmo em movimento, no caso os soldados nessa nova guerra eletrônica, pois respondem pela maioria das mortes de ambos em guerra no front. São esses drones que impedem a atuação de socorristas, que atualmente só podem chegar aos combatentes feridos com o emprego de blindados, o que tem elevado o número de feridos que vão a óbito por falta da atendimento imediato, como foi o caso do amigo de Belém.
Ele retratou a cena de terror que viveu no momento do ataque russo e a dificuldade em atuar na região.
“As lamas eram muito geladas com água. A gente pisava no gelo pensando que era firme e acabava caindo. Foi muito terror. A gente queria salvar uma vida e ao mesmo tempo salvar a nossa. Era campo minado e artilharia caindo. A gente só queria cumpria nossa missão e voltar pra casa”, descreveu Belém.
De acordo com Belém, esta é a segunda vez que o profissional é atingido por uma artilharia de guerra. Ele contou que já havia sido ferido pelo impacto de uma granada.
O amazonense informou que está bem, em recuperação no hospital de combatentes, mas que em breve retorna para campo de batalha e que deve continuar atuando até completar um ano de alistamento, quando deve retornar ao Brasil de férias.
Ver essa foto no Instagram
