*Da Redação Dia a Dia Notícia
Uma nova etapa da investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, ganhou desdobramentos nessa terça-feira, 27. O laudo pericial confirmou que o animal sofreu lesões contundentes na cabeça antes de morrer, e a Polícia Civil de Santa Catarina (PC-SC) indiciou três adultos por coagir testemunhas na apuração do caso. Os indiciados são pais e um tio dos adolescentes identificados como suspeitos de agredir o animal.
A morte do cão comunitário Orelha, após agressões ocorridas na Praia Brava, área nobre de Florianópolis em Santa Catarina, continua gerando comoção e novos desdobramentos nas investigações da Polícia Civil. O animal foi encontrado ferido e agonizando, sendo levado a uma clínica veterinária no dia 5 de janeiro, onde não resistiu aos ferimentos. Quatro adolescentes foram identificados como suspeitos das agressões, enquanto três adultos, pais e um tio dos jovens, foram indiciados recentemente por coação de testemunha.
Laudo pericial aponta agressão com objeto contundente
De acordo com o laudo pericial, divulgado em coletiva de imprensa nessa terça-feira, 27, Orelha foi atingido na cabeça por um objeto contundente, ou seja, sem ponta ou lâmina. A agressão causou lesões graves, tornando irreversível que precisou passar por eutanásia. O instrumento utilizado na agressão não foi localizado.
As investigações apontam que as agressões ocorreram no dia 4 de janeiro, mas o caso só chegou oficialmente à polícia no dia 16.
Apesar de não existirem imagens do momento exato do espancamento, segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, registros feitos na mesma região e período, aliados a depoimentos de testemunhas, permitiram a identificação dos suspeitos.
A polícia também apura a tentativa de afogamento de outro cão comunitário, Caramelo, na mesma praia. Há imagens dos adolescentes com o animal no colo, e testemunhas relataram que ele teria sido lançado ao mar.
Investigação dividida em duas frentes
A apuração do caso foi dividida em dois procedimentos distintos. O auto de apuração de ato infracional foi instaurado pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), diante da suspeita de envolvimento de adolescentes. Já o inquérito policial por coação ficou sob responsabilidade da Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA).
No inquérito que apura a coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos dos adultos investigados. Segundo a Polícia Civil, dois dos quatro adolescentes estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação na última segunda-feira, 26 de janeiro. Os outros dois estão nos Estados Unidos.
Crime de coação
Três adultos foram indiciados suspeitos de coagir ao menos uma testemunha do caso. Dois deles são empresários e o terceiro é advogado. Os nomes não foram divulgados pela polícia.
Segundo a investigação, o crime teria sido cometido contra o vigilante de um condomínio, que possuía uma imagem que poderia contribuir com a elucidação dos fatos.
A Polícia Civil não confirmou se teve acesso a esse registro específico, mas informou que analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança da região.
A coação é caracterizada como o crime de ameaçar ou constranger testemunhas, vítimas ou demais envolvidos em um processo judicial, com o objetivo de interferir no andamento ou no resultado das investigações.
