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Cansaço? Insônia? Ansiedade? Burnout? Faça da pandemia uma oportunidade de reset emocional

Apesar da intensa procura pela manutenção da saúde mental em tempos de pandemia, as pessoas ainda sentem vergonha de falar abertamente sobre sua necessidade de realizar terapia. Por quê?

Antigamente, somente as pessoas com transtornos mentais graves faziam terapia e, por isso, a sociedade ainda enxerga o trabalho do psicanalista, com este estigma.

Penso que embora este preconceito esteja sendo desconstruído aos poucos, ainda há um longo caminho a percorrer para que seja desmistificado.

Terapia ainda é um tabu em tempos de pandemia; muitas pessoas ainda preferem sofrer sozinhas a buscar ajuda profissional por estigmatizar a psicoterapia, porém, existe uma luz no fim do túnel para acabar com esse preconceito, de todas as pesquisas, números e publicações sobre o tema, o que me deixa esperançosa por um futuro melhor é perceber que as buscas por termos como terapia online seguem crescendo, a ferramenta de busca do Google que mostra os mais populares termos buscados no passado recente, apontou para uma disparada de termos como terapia online e psicólogo online. Esses termos de busca mais que triplicaram, mostrando que a população de fato tem buscado ajuda e orientação profissional para questões psicológicas e emocionais.

Vejo um tabu sendo quase derrubado, pois esse fato, por si só, demonstra que estamos caminhando para um contexto de menor preconceito. Nunca consegui entender por que tantas pessoas investem dinheiro em dietas, academias, procedimentos estéticos e esquecem da peça mais importante do corpo: a mente.

Esgotamento físico e mental

Entre os transtornos mais comuns notados durante a pandemia, podemos observar os episódios depressivos, ansiedade, estresse, somatizações, “burnout” (esgotamento físico e mental), abuso de álcool e drogas, além do aumento de atendimentos de pessoas enlutadas. Infelizmente, há pessoas que esbarram no preconceito e acabam preferindo sofrer sozinhas a buscar ajuda profissional.

No passado, muitas situações que hoje são consideradas naturais eram suficientes para determinar a loucura de alguém. Hoje, sabemos que um ser humano só pode sair enriquecido de uma experiência dessas, já que elas trazem conhecimento e autonomia.

Já se passaram quase dois anos desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o mundo estava diante de uma pandemia de Covid-19. Até esta data nenhum de nós havia experimentado uma crise na saúde de tamanha proporção. Diversos países anunciaram um lockdown, no entanto, viram os números de contágio e mortes aumentarem rapidamente.

Contudo o Brasil, que antes da pandemia, já era considerado o país com maior número de pessoas ansiosas no mundo viu o número de doenças mentais explodir. Um estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) apontou para um crescimento de 50% nos quadros de depressão e 80% nos casos de ansiedade, somente nos últimos seis meses.

Além disso, apesar do aumento dos sintomas relacionados à ansiedade e depressão, 62% das pessoas afirmam que passaram a entender mais a importância de cuidar da saúde mental durante este período. Diante de um cenário incerto, o medo, a angústia, a impotência e diversos outros sentimentos se fazem presentes na vida de boa parte das pessoas do planeta. Não era somente com o coronavírus que precisaríamos nos preocupar, pois estava chegando uma epidemia de doenças mentais e seria preciso desenvolver muita flexibilidade emocional para evitar a avalanche de doenças mentais que se aproximava.

Observamos que do dia para noite, milhares de pessoas passaram a trabalhar de casa, mesmo sem ter ainda a estrutura ou capacitação adequada para exercer seu papel à distância. A angústia, a solidão em alguns casos ou o estresse por ter que coordenar casa, filhos, trabalho e outros afazeres ao mesmo tempo, em outros casos, colocaram em risco a nossa saúde emocional.

Alguns estudos apontam que as consequências psicológicas do momento atípico que estamos vivendo devem perdurar por pelo menos três anos após a contenção da pandemia. Infelizmente veremos o resultado dos milhares casos de morte e luto, do aumento do consumo de álcool, da obesidade decorrente da compulsão alimentar, o TOC desencadeado pela compulsão com a higienização das mãos e muito mais.

O efeito Covid nos mostra que a busca por terapia continuará crescendo, com uma maior abertura para debater assuntos antes varridas para debaixo do tapete. A temática da saúde mental ganhou prioridade na pauta não apenas dos veículos de comunicação, como também das famílias e das empresas de modo geral.

Há anos a OMS alerta para uma perda trilionária ocasionada pela falta de cuidados com a saúde mental dos colaboradores. O Fórum Econômico Mundial chegou a declarar que não tratar doenças como ansiedade e depressão custavam à economia global U$$1 trilhão anualmente. No entanto, foi preciso uma pandemia surgir para que muitos se dessem conta da importância desta discussão.

Está mais que comprovado que o investimento em saúde mental traz retornos significativos. Seja porque passamos a ter uma sociedade mais saudável, seja porque passamos a colher os frutos da felicidade, da produtividade e uma vida mais equilibrada.

Uma pesquisa realizada pela consultoria PwC, em parceria com a Universidade do Sul da Califórnia demonstrou que funcionários felizes são 3x mais criativos, 31% mais produtivos e chegam a vender 37% mais que seus pares menos felizes.

Mente Saudável

Nossa mente é responsável por uma série de funções cognitivas e executivas como aprendizagem, memória, atenção, concentração, foco, criatividade e tantas outras coisas. Sem uma mente saudável o corpo sofre. Um organismo dominado ao estresse crônico, por exemplo, apresenta todo tipo de fadiga, das emocionais às físicas, como dor de cabeça, gastrite, problemas de pele e até doenças autoimunes.

Precisamos entender que o nosso corpo e mente são como máquinas, vez outra precisam dar uma parada, para manutenção preventiva e cuidado. Quando não fazemos isso, literalmente “bugamos”.

Se é que podemos observar esta pandemia com um aspecto positivo, com certeza eu diria que essa disparada nas buscas por terapia online é uma delas, criando uma forma de prestação do serviço. Além de ser uma pequena amostra de que o tabu aos poucos vai sendo derrubado, também demonstra que o cuidado ficou mais acessível com a transformação digital, pois muitos terapeutas nunca haviam experimentado esta modalidade de atendimento.

A procura pela terapia pode e deve ser realizada sempre que surja o desejo de ampliar o autoconhecimento. Mas quando há sofrimento envolvido, ela se torna fundamental para a qualidade de vida. Ressalto que qualquer pessoa pode fazer terapia, em qualquer momento da sua vida, sem restrição de idade, sexo ou demanda.

Por Samiza Soares

É terapeuta formada em psicanálise e hipnoterapia clínica pelo Instituto Lucas Naves e pelo Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica (IBPC), respectivamente.
Trabalha com sessões individuais e com casais, atendendo em consultório particular, plantão terapêutico emergencial, além de atendimento domiciliar e atendimento on-line.

Instagram: @samiza

E-mail: [email protected]

Facebook: www.facebook.com/samizasoaresterapeuta

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