*Da Redação Dia a Dia Notícia
Um dossiê divulgado, nesta segunda-feira, 26, pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) revela que ao menos 80 pessoas transexuais foram assassinadas no Brasil em 2025. Embora o número represente uma queda de 34,4% em relação às 122 mortes registradas em 2024, o país segue pelo 17º ano consecutivo, como o mais perigoso do mundo para a população trans, segundo a entidade.
Os dados constam na nona edição da Antra, elaborado a partir do monitoramento de notícias, denúncias diretas encaminhadas às organizações trans e registros públicos. O levantamento busca traçar um panorama nacional da violência contra pessoas transexuais e travestis no país.
O estudo aponta que, embora o número de assassinatos tenha apresentado queda, houve aumento nas tentativas de homicídio. Isso indica que a redução de 34% em relação a 2024 não representa, necessariamente, uma diminuição real da violência.
Para a presidenta da Antra, Bruna Benevides, a redução no número absoluto de mortes está relacionada a fatores como a subnotificação, situações em que o número real de ocorrências não condiz com os registros oficiais; a retração da cobertura midiática; o medo generalizado e o descrédito das pessoas trans nas instituições de segurança e justiça.
Estados mais violentos do país
Ceará e Minas Gerais lideraram os registros de assassinatos de pessoas trans no ano passado, com oito mortes em cada estado. No recorte regional, o Nordeste concentrou o maior número de casos, totalizando 38 mortes, seguido pelo Sudeste, com 17, o Centro-Oeste, com 12, o Norte, com sete, e o Sul, com seis.
O levantamento também revela que a maioria dos crimes ocorreu fora dos grandes centros urbanos: ao menos 67% dos assassinatos foram registrados em cidades do interior, enquanto apenas 32% aconteceram nas capitais. O dado evidencia a vulnerabilidade ainda maior enfrentada por pessoas trans em municípios com menor estrutura de proteção e políticas públicas.
Quanto ao perfil das vítimas, o dossiê aponta que a violência atinge principalmente travestis e mulheres trans, em sua maioria jovens, com maior incidência na faixa etária entre 18 e 35 anos. Pessoas negras e pardas, além daquelas em situação de vulnerabilidade social, foram as mais afetadas, reforçando a interseção entre transfobia, racismo e desigualdade social.
Recomendações de medidas ao Poder Público
Além do diagnóstico, o estudo apresenta uma série de recomendações ao poder público, ao sistema de justiça, às forças de segurança e às instituições de direitos humanos. As propostas buscam ampliar o diálogo e implementar ações concretas para romper com a lógica de impunidade e com a escassez de políticas que marcam a realidade da população trans no Brasil.
A nona edição do dossiê “Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras” será apresentada em cerimônia no auditório do Ministério dos Direitos Humanos, com entrega oficial a representantes do governo federal.
O dossiê completo da pesquisa pode ser acessado clicando aqui ou no site oficial da Antra (www.antrabrasil.org).
