*Da Redação do Dia a Dia Notícia
A megaoperação policial realizada nessa terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte do Rio de Janeiro, revelou o alcance interestadual do crime organizado. Durante as ações, as forças de segurança apreenderam 118 armas de fogo, entre elas 91 fuzis, avaliados em cerca de R$ 5,4 milhões. O que mais chamou a atenção das autoridades foram as inscrições gravadas em alguns armamentos, com as siglas “CV AM” e a frase “Tropa de Manaus”, sugerindo que parte das armas pertencia a traficantes ligados ao Comando Vermelho do Amazonas.
De acordo com o subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil, delegado Carlos Oliveira, as inscrições indicam que criminosos de outros estados estariam utilizando o território carioca como refúgio. “Entre os 113 presos na operação, há traficantes vindos de fora do Rio. As marcas nos fuzis reforçam a hipótese de que o armamento era usado por esses foragidos”, afirmou.
Do total de armas apreendidas, 19 fuzis foram encontrados com um grupo de 25 suspeitos na Vila Cruzeiro, na Penha. O grupo chegou a fazer uma moradora refém antes de ser rendido pelos policiais. Alguns dos fuzis estavam equipados com lunetas de precisão e miras holográficas, dispositivos que aumentam a eficácia dos disparos a longas distâncias.
Segundo Vinicius Cavalcante, especialista em armas e presidente do Conselho Empresarial da Associação Comercial do Rio, “a luneta permite atingir alvos a mais de 100 metros, enquanto a mira holográfica indica com exatidão o ponto do disparo”.
Além dos fuzis, as equipes apreenderam 26 pistolas, um revólver e 14 artefatos explosivos, todos em condições de uso. O material será encaminhado para perícia técnica, que deve ajudar a identificar a origem das armas e seus possíveis fornecedores.
As investigações já apontaram que 33 dos presos são chefes do tráfico vindos de outros estados, incluindo dez da Bahia, além de integrantes do Ceará, Amazonas e Pernambuco. A operação — uma das maiores já realizadas no estado — teve a participação de 2,5 mil agentes e expôs a integração entre facções criminosas de diferentes regiões do país.
