Durante a cerimônia, a presidenta assinou os primeiros atos oficiais à frente da Funai com medidas voltadas ao fortalecimento institucional e à garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas.
Entre as ações estão a assinatura de portaria, um Acordo de Cooperação Técnica (ACT), a aprovação de um Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID), além da abertura de novos processos de identificação de terras indígenas, criação de uma Reserva Indígena e instituição de três novos Grupos Técnicos (GTs), com a recomposição de outro já existente.
Lúcia Alberta Baré já havia sido anunciada para o cargo durante a cerimônia de transmissão do Ministério dos Povos Indígenas, em 31 de março, e desde 1º de abril, atuava como presidenta substituta da fundação.
Na abertura, foi destacado o avanço da presença indígena em espaços de poder.
“Nós tivemos a primeira mulher a assumir a presidência da Funai, a ex-deputada federal Joenia Wapichana, e agora, dando sequência a esse processo da gestão indígena do atual governo, nossa companheira, Lúcia Alberta Baré, tomando posse (…). Isso faz parte desse processo de luta e conquista do movimento indígena brasileiro”.
Em seu discurso, a nova presidenta reforçou o compromisso com uma gestão conduzida pelos próprios povos indígenas e voltada às suas demandas.
“Vivemos um contexto em que direitos conquistados são constantemente questionados. Por isso, este é um momento de união, resistência e construção coletiva. A Funai que construímos será presente nos territórios, institucionalmente fortalecida, comprometida com a escuta e o diálogo permanente com todos os povos indígenas”, declarou.
Ao encerrar a cerimônia, o ministro Eloy Terena ressaltou a trajetória histórica do movimento indígena.
“O que nós estamos vivenciando hoje é fruto da luta das nossas lideranças indígenas que vieram antes de nós (…). Portanto, eu fico bastante feliz de estar hoje aqui nessa condição, mas eu não cheguei sozinho”, disse.
Indígena do povo Baré, nascida na região do Alto Rio Negro (AM), Lúcia Alberta Baré é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e mestre em Educação pela mesma instituição.
Antes de assumir a presidência da Funai, esteve à frente da Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial (Digat), onde atuou no fortalecimento da gestão socioambiental e na ampliação da participação indígena nos processos decisórios.
Com trajetória ligada à educação escolar indígena, já atuou na Secretaria Municipal de Educação de São Gabriel da Cachoeira (AM), no Instituto Socioambiental e no Ministério da Educação.
Também integrou a equipe da Funai entre 2012 e 2016 e participou da organização da 1ª Conferência Nacional de Política Indigenista. Servidora efetiva da fundação desde 2025, defende a participação ativa dos povos indígenas na formulação de políticas públicas e o papel estratégico dos territórios na preservação ambiental.