Comunidades localizadas no km 260 da BR-319, entre Beruri, Borba e Manicoré, participaram da ação de manejo participativo na Igapó-Açu. O evento reuniu moradores, parceiros institucionais e visitantes, fortalecendo o turismo local e gerando renda para as pousadas da região.
“É importante a atividade para trazer as pessoas, para o turismo. Mas o mais importante é a comunidade estar presente, prestigiando. A gente fala que o projeto Pé-de-Pincha é da comunidade, da Unidade de Conservação”, afirmou Cristiano Gonçalves, gestor da RDS Igapó-Açu.
A edição deste ano registrou quase 80% de taxa de eclosão, uma das maiores em 16 anos de manejo no Igapó-Açu, e aumento de 6,7% no número de quelônios soltos em relação a 2025.
O manejo comunitário segue metodologia do ‘Projeto Pé-de-Pincha’, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que atua há mais de 25 anos em 180 comunidades do estado. Sem o manejo, a taxa de sobrevivência natural dos quelônios é de cerca de 1%, podendo chegar a 18% com o acompanhamento técnico e comunitário.
“Na metodologia do projeto, quem faz a coleta e todo o trabalho são os comunitários treinados pelos acadêmicos da Ufam. São eles os responsáveis por todo o trabalho do projeto Pé-de-Pincha”, explica Sandra Azevedo, coordenadora de campo.
Processo para a soltura
Após a coleta, os ovos são levados às chocadeiras e permanecem protegidos por cerca de 60 dias. Em seguida, passam por biometria, que consiste em medição e pesagem, antes de serem mantidos em berçários por mais três meses até a soltura.
“Passados 60 dias da coleta, os filhotes começam a nascer. Aí vêm os técnicos e os comunitários treinados, fazem a biometria e deixam os filhotes nos berçários até a soltura”, detalhou Sandra Azevedo.
A ação contou com apoio da Sema, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), da Ufam, do Instituto Acariquara e do Instituto Claro, com financiamento do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). O programa, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática (MMA), tem o Funbio como gestor financeiro e é executado no Amazonas por meio da Sema em 24 Unidades de Conservação.