*Da Redação Dia a Dia Notícia
Próximo de completar seis anos da morte de Miguel Otávio Santana da Silva, a mãe do menino, Mirtes Renata, usou as redes sociais nessa quarta-feira, 18, para voltar a cobrar a Justiça pelo julgamento do caso. Em publicação, a mãe expressa sua indignação pela demora no processo contra a ex-patroa Sari Corte Real, condenada por abandono de incapaz que resultou em morte: “ela foi condenada mas segue livre […] eu não fui condenada por tribunal, mas cumpro prisão perpétua na ausência do meu filho”.
A mãe usou as redes sociais para cobrar celeridade da Justiça e desabafar sobre o andamento do processo. Ela também lamentou a ausência do filho e o impedimento de momentos devido a tragédia:
“Hoje eu preciso desabafar. Sari segue vivendo sua vida normalmente. Viaja, tira férias na Europa com seus filhos, faz planos, segue sorrindo (…) Eu nunca mais poderei viajar com Miguel. Nunca mais poderei mostrar o mundo a ele”, escreveu.
Mirtes também questiona a efetividade da decisão judicial no caso da criança.
“Ela foi condenada, mas segue livre, recorrendo em liberdade. Eu não fui condenada por tribunal algum, mas cumpro prisão perpétua na ausência do meu filho. Isso é justiça? (…) Quando a condenação deixará de ser apenas no papel?”.
Relembre o caso
Miguel Otávio Santana da Silva, morreu após cair do nono andar de um prédio de luxo no Centro da capital pernambucana. Na época, o menino tinha apenas cinco anos. No momento da queda, ele estava sob os cuidados da então empregadora de sua mãe, que trabalhava como doméstica no apartamento. A mãe da criança havia saído para passear com o cachorro da família, quando Sari Corte Real permitiu que Miguel saísse de seu apartamento e a mesma o colocou dentro do elevador, fazendo com que ele fosse parar em um andar superior.
Imagens das câmeras de segurança mostraram o momento em que Miguel entra desacompanhado no elevador e, em seguida, circula pelo prédio antes da queda. A investigação da Polícia Civil apontou que a ex-patroa apertou o botão de um andar superior, permitindo que o menino subisse sozinho.
Indiciamento e prisão
Sari foi indiciada por abandono de incapaz com resultado morte. Em julho de 2020, chegou a ser presa preventivamente, mas foi liberada após decisão judicial que substituiu a prisão por medidas cautelares, como a proibição de deixar o país e a obrigação de comparecer aos atos do processo.
O Ministério Público de Pernambuco (MP-PE) denunciou a ex-patroa, sustentando que houve negligência ao deixar a criança desacompanhada em área comum do prédio.
Andamento do processo
O caso ganhou grande repercussão nacional, reacendendo debates sobre desigualdade social, racismo estrutural e relações de trabalho doméstico no Brasil. A mãe de Miguel, Mirtes Renata, tornou-se símbolo da luta por justiça. Desde então, o processo segue tramitando na Justiça pernambucana, com recursos e fases processuais que prolongaram a conclusão do caso.
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