*Audrey Bezerra/ Franciane Silva / Geovana Vieira – Especial para Dia a Dia Notícia
Durante a leitura da mensagem governamental na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), nesta terça-feira, 03, o governador Wilson Lima (União Brasil) adotou um discurso marcado pela valorização de sua trajetória à frente do Executivo estadual, pela reafirmação de autoridade política e por sinais de continuidade administrativa, em um momento em que o cenário eleitoral de 2026 começa a ganhar forma no Estado.
A solenidade contou com a presença do vice-governador Tadeu de Souza (Avante) e do vice-prefeito de Manaus, Renato Júnior (Avante), ambos aliados do prefeito David Almeida (Avante), apontado como possível candidato ao governo do Amazonas. Mesmo diante desse contexto, Wilson evitou qualquer menção direta a alianças eleitorais ou sucessão, mantendo o discurso no campo institucional.

Logo na abertura, o governador fez questão de destacar a parceria com o vice-governador, agradecendo a atuação conjunta na condução do governo.
“Gostaria de fazer um cumprimento ao meu vice-governador, Tadeu de Souza, lhe agradecer pela parceria, pela disposição e pelo desprendimento de tocar junto comigo as ações do governo que mudam e transformam a vida das pessoas”, afirmou.
Ao longo da fala, Wilson Lima reforçou o peso simbólico de estar, pelo oitavo ano consecutivo, abrindo os trabalhos legislativos da Casa. “É com grande honra que retorno a esta casa para cumprir um dever republicano, apresentar a prestação de contas do trabalho realizado à frente do governo do Estado”, disse, acrescentando que faz isso “com serenidade, responsabilidade e, principalmente, com orgulho dos avanços que construímos juntos”.
Apesar das especulações sobre uma possível renúncia ao cargo em abril para disputar o Senado Federal, o governador adotou um tom que afasta, ao menos publicamente, a ideia de encerramento imediato do mandato. Ao se dirigir ao secretariado, Wilson foi enfático: “O ano está só começando”.

A declaração foi interpretada nos bastidores como um sinal de que o governador pretende manter o controle político da gestão e evitar a leitura de um governo em transição antecipada, mesmo em um ano pré-eleitoral.
Em outro momento do discurso, Wilson Lima fez um balanço pessoal e político de sua trajetória desde 2019. “Chego ao fim deste ciclo mais forte, mais preparado e mais consciente da responsabilidade que é administrar um Estado e servir à população”, afirmou. Em seguida, ressaltou que a transformação vivida ao longo dos anos não foi individual. “Reconheço com humildade que essa transformação não me pertence apenas, ela foi construída pelo povo do Amazonas.”
A escolha das palavras, ao falar em “fim de ciclo”, sem mencionar diretamente o fim do mandato, mantém aberta uma série de possibilidades políticas: desde a permanência no cargo até o lançamento de um candidato alinhado ao seu grupo político ou, ainda, uma eventual candidatura própria a outro cargo eletivo.
A ausência de sinais claros de apoio ao prefeito David Almeida, apesar da presença de aliados próximos, também chamou atenção. O discurso evitou gestos explícitos de alinhamento eleitoral, reforçando a estratégia de cautela e preservação de capital político em um cenário ainda indefinido.
Com isso, a mensagem governamental cumpriu o papel institucional de prestação de contas, mas também funcionou como um recado político: Wilson Lima segue como ator central no tabuleiro eleitoral do Amazonas e, ao menos por ora, mantém sob seu controle o tempo e o rumo das próximas decisões.
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