*Da Redação Dia a Dia Notícia
Pela primeira vez, as audiências públicas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que discutem o texto preliminar das resoluções das Eleições Gerais de 2026 contarão com tradução simultânea e intérpretes de línguas indígenas. A iniciativa inédita é do vice-presidente da Corte e relator das resoluções do pleito, ministro Nunes Marques, e será implementada entre os dias 03 e 05 de fevereiro, durante as transmissões ao vivo pelo canal do TSE no YouTube, com o objetivo de ampliar a inclusão, a diversidade e a acessibilidade no processo eleitoral.
A iniciativa do ministro Nunes Marques busca ampliar a inclusão, a diversidade e a acessibilidade, com a participação de intérpretes das línguas Tikuna, Yaathe (Fulni-ô) e Kaingang, além de tradutores-intérpretes de Línguas Indígenas de Sinais (Tilis).
Segundo Nunes Marques, o avanço representa um passo importante para a inclusão política dos povos originários e para o fortalecimento da democracia. A iniciativa está alinhada à Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) e ao objetivo de redução das desigualdades da ‘Agenda 2030’.
A escolha das línguas levou em conta critérios como número de falantes, vitalidade linguística e abrangência territorial. Dados do Censo 2022 do IBGE apontam que o Brasil possui 391 etnias e 295 línguas indígenas, sendo Tikuna e Kaingang entre as mais faladas.
No cadastro eleitoral, o Tikuna é o idioma mais registrado entre eleitores indígenas, enquanto o Kaingang tem ampla presença no Sul e o Yaathe representa povos do Nordeste com destaque para o Fulni-ô, que preserva sua língua tradicional.
