*Da Redação Dia a Dia Notícia
Na manhã desta segunda-feira (11), ambulantes realizaram um protesto na Câmara Municipal de Manaus (CMM) para exigir que o prefeito David Almeida (Avante) esclareça as recentes ações de remoção de trabalhadores do Centro da cidade. A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) criticou a iniciativa da prefeitura, apontando falta de diálogo e qualificando a ação como “agressiva e com uso desproporcional de força”.
Vídeos mostram uma ação da Guarda Municipal de Manaus, durante a retirada de ambulantes, na última quinta-feira (7). A operação, realizada às vésperas do evento Passo a Paço, faz parte do mutirão de reordenamento promovido pela prefeitura sob a gestão de David Almeida, mas tem gerado revolta entre os trabalhadores informais, que estão ficando sem fonte de renda.
O vereador Coronel Rosses (PL) recebeu os ambulantes na CMM e cobrou do prefeito espaços para que os trabalhadores possam trabalhar
“A prefeitura de Manaus deve se manifestar em razão como vai ficar a vida desses pais de família. Esses pais de família precisam de sustento, precisam ter sua água, seu refrigerante, suas meias, suas roupas que foram levadas pela prefeitura, que segundo eles não tinham condições de serem comercializadas, sejam devolvidas. Conduzimos eles até a delegacia onde registraram boletim de ocorrência, iremos até o Ministério Público para que o órgão tome as providências cabíveis em relação a esse ato truculento e desproporcional da prefeitura. E que o prefeito tenha um pouco de sensibilidade com essas pessoas e possa dar pelo menos uma assistência para que eles possam sobreviver nesse tempo que esse imbróglio estiver pendente. Porque sabemos que essa situação dos ambulantes já temos há muitos anos e isso não vai se acabar. Um ato de truculência desses com eles, amenizou, mas daqui a pouco volta tudo de novo. Porque não construir um espaço para essas pessoas? Porque não dar dignidade para eles dentro de espaços para que eles possam trabalhar de forma técnica e didática e aí sim que a prefeitura possa estar fiscalizando se eles estão fazendo o trabalho correto”, disse o vereador Rosses.
O parlamentar denunciou o prefeito que afirmou que, entre os camelôs do Centro de Manaus, “só tinha traficantes, venezuelanos e haitianos”. Rosses rebateu:
“Nós temos haitianos e venezuelanos, mas eles não são a maioria. Levamos alguns até a delegacia e não vimos nenhum traficante ou pessoa com conduta duvidosa, porque senão não estariam aqui. Essa é mais uma tentativa do prefeito de colocar o problema debaixo do tapete, sem buscar uma solução real. Sabemos que essas situações afetam o Centro, principalmente quem circula por ali, mas existem espaços e condições para oferecer uma vida digna, onde comerciantes e ambulantes convivam em harmonia”.
O parlamentar também criticou a rejeição do prefeito a um projeto que seria uma adaptação de uma iniciativa bem-sucedida no Centro de São Paulo para lidar com problemas semelhantes, como usuários de drogas, moradores de rua, ambulantes e camelôs.
“Algumas semanas atrás, trouxemos o vice-prefeito de São Paulo, responsável pela solução de problemas complexos na cidade. Apresentamos o projeto para que o prefeito tivesse um plano estruturado para o Centro de Manaus. O que aconteceu? Ele rasgou o projeto e não quis ouvir nenhuma proposta, preferindo agir sozinho”, afirmou Rosses.
Segundo ele, o prefeito não possui um plano claro para as mudanças e para os trabalhadores afetados pelas ações na área central.
“Não existe planejamento para essas pessoas, nem para o que está sendo feito no Centro. É claro que o prefeito buscava protagonismo, porque sabia que o projeto que apresentamos era uma solução técnica e viável, baseada na cooperação entre governo e prefeitura. Adaptamos o projeto de São Paulo à realidade daqui, que envolve usuários de drogas, moradores de rua, nem todos usuários, e os vendedores ambulantes e camelôs”, concluiu.
Os vendedores ambulantes que atuam no Centro também reclamam da ausência de diálogo e transparência da Prefeitura nas ações de reordenamento da área. Segundo eles, nenhuma notificação formal foi entregue e as propostas apresentadas pelo poder público não chegaram até os trabalhadores.
“Até agora, não recebemos nenhum documento, nenhuma comunicação oficial. Eles dizem que muitos aceitaram as propostas, mas isso nunca chegou até a nossa categoria. Queremos uma solução, queremos trabalhar. Muitos dependem do Centro para sobreviver. Trabalhamos informalmente, mas com dignidade. Até agora, ninguém da Prefeitura veio falar com a gente”, relatou Antônio, representante dos comerciantes ambulantes.
Antônio ainda criticou uma ação da Prefeitura durante uma manifestação, em que servidores teriam adulterado produtos para mostrar à imprensa que os ambulantes vendem alimentos estragados, o que prejudicou a imagem da categoria.
“Esse depósito é só para guardar nosso material, porque muitos moram longe e não podem levar tudo para casa. Queremos participar do projeto do prefeito, já que ele quer organizar a área, mas não adianta nos mandar para galerias escondidas, sem movimento, onde não dá para ganhar dinheiro”, finalizou.
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