Da Redação Dia a Dia Notícia
Há exatos 80 anos, os Estados Unidos lançavam bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki nos dias 6 e 9 de agosto de 1945. Os ataques mudaram os rumos da Segunda Guerra Mundial e marcaram para sempre a história da humanidade.
Na manhã clara de 6 de agosto de 1945, Hiroshima despertava sob um céu limpo, condição ideal para a missão que mudaria a história. Às 8h15, a cidade se tornaria o primeiro alvo de uma arma nuclear. A bordo do bombardeiro B-29 Enola Gay, o piloto Paul Tibbets liderava a tripulação encarregada de lançar a bomba de urânio apelidada de Little Boy.
A operação, parte do ultrassecreto Projeto Manhattan, foi meticulosamente planejada, como detalha o portal Aventuras na História. Durante o voo, o capitão William “Deak” Parsons e o engenheiro Morris Jeppson armaram a bomba manualmente em um procedimento arriscado que visava evitar a detonação acidental caso o avião explodisse na decolagem. Quando o alvo foi confirmado via código Morse, “É Hiroshima”, tudo estava pronto.
Cerca de 43 segundos após o lançamento, uma explosão equivalente a 13,5 mil toneladas de TNT devastou a cidade. Estima-se que 70 mil pessoas morreram instantaneamente, número que dobraria nas semanas seguintes em decorrência da radiação, queimaduras e ferimentos. Hiroshima foi praticamente varrida do mapa.
Atônito, o copiloto Bob Lewis registrou em seu diário a frase que ressoaria por décadas: “Meu Deus, o que fizemos?”. A missão, embora considerada tecnicamente impecável, levantou questionamentos morais profundos. Hiroshima havia sido poupada de bombardeios convencionais justamente para demonstrar ao mundo, e ao Japão, o poder da nova arma.
Três dias depois, em 9 de agosto, o segundo ataque também sofreu reviravoltas. O alvo inicial, Kokura, estava encoberto pela fumaça de bombardeios anteriores. Com baixa visibilidade, a tripulação do Bockscar desviou para o plano alternativo: Nagasaki. Entre falhas técnicas, tempestades e pouco combustível, a decisão foi lançar visualmente a bomba de plutônio Fat Man assim que uma abertura entre as nuvens revelou parte da cidade.
A explosão matou cerca de 40 mil pessoas imediatamente. Ironicamente, o epicentro atingiu uma fábrica de torpedos que havia participado do ataque a Pearl Harbor, em 1941. O avião retornou à base em Okinawa com apenas um minuto de combustível restante.
Seis dias após os bombardeios, em 15 de agosto de 1945, o imperador Hirohito anunciou a rendição do Japão. A Segunda Guerra Mundial terminaria oficialmente em 2 de setembro. Os ataques a Hiroshima e Nagasaki deixaram entre 129 mil e 246 mil mortos, a maioria civis.
Para os Estados Unidos, as bombas evitaram uma invasão terrestre que poderia custar milhões de vidas. Para sobreviventes e parte da comunidade internacional, no entanto, foi um ato desproporcional que deu início à era nuclear e à corrida armamentista.
Pela primeira vez, Hirohito falou diretamente à nação, afirmando que era preciso “suportar o insuportável”. Suas palavras selaram a rendição e simbolizaram o impacto devastador das bombas atômicas.
O trauma das explosões moldou a geopolítica do pós-guerra e alimentou o medo de um novo ataque nuclear durante a Guerra Fria. Enquanto isso, os hibakusha, sobreviventes das bombas, enfrentaram anos de doenças, preconceito e lutaram para manter viva a memória do que aconteceu.
Oito décadas depois, Hiroshima e Nagasaki seguem como símbolos do horror atômico, e lembretes dolorosos do que a humanidade é capaz de fazer em nome da guerra.
